Planejamento atual aumenta em quase US$ 50 bilhões o volume de investimentos em relação ao anterior

O plano de negócios da Petrobras para os próximos cinco anos inclui 155 novos grandes projetos, segundo apurou o IG. O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirma que 686 projetos de grande porte integram o planejamento atual, para o período de 2010 a 2014. No plano anterior, com investimentos para o período de 2009 a 2013, a previsão era executar 531 projetos do mesmo porte – cada um com mais de US$ 25 milhões.

Divulgado nesta manhã ao mercado e apresentado à imprensa na tarde desta segunda-feira, o planejamento da companhia aumenta em quase US$ 50 bilhões o volume de investimentos em comparação aos aportes previstos no ano passado. O Conselho de Administração da Petrobras na sexta-feira aprovou a realização de US$ 224 bilhões em investimentos de 2010 a 2014. O plano de 2009 a 2013 previa US$ 174,6 bilhões.

Gabrielli: investimentos em refinarias e em atividades exploratórias no pré-sal lideram plano de negócios
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Gabrielli: investimentos em refinarias e em atividades exploratórias no pré-sal lideram plano de negócios

Do total de recursos que a empresa planeja investir nos próximos cinco anos, US$ 31,7 bilhões serão voltados para novos empreendimentos, que ainda não faziam parte do portfólio da empresa no planejamento anterior. A empresa também incorporou ao seu plano um aumento de custos estimado em US$ 19,2 bilhões, além de US$ 10,3 bilhões a mais em aumento de participações societárias. Por outro lado, foram excluídos do plano da empresa US$ 17 bilhões em projetos e outros US$ 6,8 bilhões em empreendimentos que serão adiados ou reelaborados, conforme a nova realidade da empresa.

Os investimentos da Petrobras no exterior, por exemplo, vão diminuir, dada a necessidade da empresa em direcionar esforços na exploração do pré-sal e em refino doméstico. A área internacional da estatal, que previa US$ 15,9 bilhões de 2009 a 2013, agora terá US$ 11,7 bilhões de 2010 a 2014. Em compensação, os recursos em Exploração e Produção de petróleo – tradicionalmente a que mais investe – foram elevados de US$ 104,6 bilhões para US$ 118,8 bilhões neste período.

Gabrielli destaca que a companhia tem 21 novos projetos para o pré-sal. São pelo menos 10 testes de longa duração em várias áreas da promissora região na bacia de Santos, além da instalação de plataformas em Guará e na área Nordeste de Tupi. O total de investimentos no pré-sal nos próximos cinco anos é da ordem de US$ 33 bilhões.

Mudança no Comperj

O maior salto nos aportes acontece na área de refino, onde a implantação de novas refinarias e aumento de capacidade produtiva das unidades atuais aumentam de US$ 43,4 bilhões para US$ 73,6 bilhões o total que será investido. “Estamos aumentando nossa participação em refino juntamente com a demanda doméstica”, afirma Gabrielli. O uso da capacidade instalada de refino da Petrobras passa de 92% no primeiro trimestre deste ano, com aumento expressivo no consumo de combustíveis do País. Além da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, a estatal construirá o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), entre outros projetos. O Comperj, segundo Gabrielli, sofreu alterações em sua estrutura, com a inclusão de uma refinaria.

O plano de negócios da Petrobras também prevê aumento de expressivo na área de Gás e Energia, de US$ 11,8 bilhões para US$ 17,8 bilhões. Além da implantação de projetos de GNL (Gás Natural Liquefeito), que transformam gás do estado gasoso para o líquido para facilitar o transporte do insumo, a estatal prevê recursos para térmicas, entre outros projetos.

 Capitalização e dívida somam US$ 58 bilhões

Para executar o plano de investimentos, a Petrobras precisará captar US$ 58 bilhões. “Isso não quer dizer que esse será o valor da capitalização”, avisa Gabrielli. O executivo explica que o valor pode ser alcançado tanto por meio de aumento de capital, em emissão de ações, como por aumento da dívida, com emissão de debêntures. O valor considera e as necessidades da empresa e a premissa de que esta não ficará exposta a uma dívida superior a 35% do patrimônio líquida – mesmo nível de alavancagem estipulado no plano anterior. Gabrielli disse ainda que o valor não inclui necessariamente o valor exato na cessão onerosa, que será um processo separado do aumento do capital. Os acionistas votam amanhã, terça-feira, o limite de aumento de capital, sugerido em R$ 150 bilhões pelo Conselho de Administração da companhia.


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