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Rede de sensores desenvolvida por professores da USP também serve para mensurar nível de poluição da água

Professores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma rede de sensores sem fio que registra os índices de poluição da água e consegue prever a ocorrência de enchentes. O sistema é formado por um computador principal e três sensores analógicos, que monitoram pressão, condutividade da água e os riscos para a segurança dos próprios aparelhos, emitindo alertas a cada cinco minutos.

Enchente em Palmares (PE), em junho: nova técnica servirá para previsões em áreas urbanas e rurais
Agência Estado
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O computador principal que recebe as medições da rede tem tamanho aproximado de uma caixa de fósforos, possui várias entradas para os sensores e funciona com baterias recarregadas por meio de painéis solares. Como o sistema recebe muitas informações, é necessário que a transmissão dos dados seja feita pela internet. Assim, a memória do aparelho não fica sobrecarregada.

São três os sensores do sistema. O primeiro a ser desenvolvido foi o sensor de pressão. Ele analisa o volume de água e é o responsável direto pela medição das enchentes - ao medir o aumento do volume, ele mensura também a pressão da enxurrada, o que permite um registro preciso. O outro dos sensores é o de condutividade, que avalia a capacidade de condução de eletricidade da amostra. Como a água pura é má condutora de eletricidade, o sensor atesta o nível de poluição da água. O terceiro sensor, chamado acelerômetro, é o único que fica próximo ao computador e fora da água. Sua função é gerar um alarme no sistema a cada cinco minutos para indicar alguma alteração nos equipamentos.

A nova tecnologia baseia-se na rede desenvolvida, sob a coordenação do professor Daniel Hugues, pelas universidades de Liverpool, na Inglaterra, e a chinesa Xi’na Jiaotong. Entretanto, o sistema inglês é direcionado exclusivamente para a previsão de enchentes em áreas rurais. O brasileiro, por sua vez, tem potencial para revelar até o grau de radiação da água e dá prioridade às localidades urbanas. Além disso, há diferenças nos equipamentos. “O sistema que desenvolvemos é mais fácil de programar, tem um software mais leve e flexível”, diz Jo Ueyama, coordenador do estudo.

Chegada ao mercado

A rede já foi testada em laboratórios e rios de São Carlos (SP) e se mostrou eficaz. No entanto, o projeto não está concluído, já que serão aprimoradas outras funções. “Nosso sistema não está fechado. Queremos monitorar, entre outras coisas, a radiação”, diz Ueyama.

Equipamento usado na rede
Divulgação
Equipamento usado na rede
Além disso, como o software apenas coleta as informações dos sensores, os pesquisadores querem desenvolver outro que também as processe. “As medições precisam ser relacionadas entre si para que seja revelado o perigo de enchente”, afirma Marcos Lordello Chaim, pesquisador e integrante do projeto. “É preciso considerar as variáveis do relevo, entre outros aspectos. Se desenvolvermos um software que analise essas informações, será algo mais rápido e preciso”.

As possibilidades de o sistema chegar ao mercado são grandes. O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações e Tecnologia da Informação (CPqD), de Campinas, está interessado em comercializar o produto. Segundo os pesquisadores, antes das chuvas de verão, período com maior frequência de enchentes, isso deve se concretizar.

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