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Pesquisa aumenta vida útil de aterros sanitários

Cobertura feita com resíduos urbanos tratados diminui tamanho de aterros e contato da água da chuva com o lixo

Bruna Bessi, iG São Paulo |

Uma nova técnica no tratamento de lixo pode ajudar a fazer com que o uso de camadas de solo para cobrir aterros sanitários diminua. Pioneiro no Brasil, o sistema promete reduzir em até 40% o espaço ocupado pelos aterros e diminuir o contato da água da chuva com o lixo, graças ao uso de resíduos urbanos tratados como cobertura.

Desenvolvida por Ronaldo Luiz dos Santos Izzo, engenheiro e pesquisador da Coppe/Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a pesquisa permite utilizar o próprio lixo para cobrir os aterros. Essa cobertura é feita com resíduos urbanos tratados por meio de processos como o pré-tratamento mecânico biológico ou a compostagem, que tornam os resíduos inertes e apropriados para o uso.

Divulgação
Teste com resíduos na Coppe, da UFRJ
As camadas de solo representam até 25% do volume total de aterros, o que torna representativo o benefício da nova técnica. “Mesmo nos aterros de grande porte e com o controle adequado, o volume perdido com a utilização de solo é significativo, o que reduz a vida útil do aterro”, diz Izzo.

A cobertura, denominada “evapotranspirativa”, funciona como uma barreira capilar, retendo a água da chuva que posteriormente evaporará ou será drenada antes que se misture ao lixo do aterro. O acúmulo de água na barreira também é eliminado pela transpiração dos vegetais plantados em um solo colocado sobre a cobertura. Essa plantação evita possíveis erosões na camada superior do aterro, que poderiam ocorrer caso ficasse exposta.

Constituída por duas camadas impermeabilizantes, a cobertura é formada por grãos maiores na base e menores na superfície, diferença conseguida pelo peneiramento e da separação dos resíduos. A retenção de água e sua drenagem ocorrem na camada superior que possui espessura de 60 centímetros, contra 30 cm da inferior.

O controle da entrada de água é um fator relevante na pesquisa, já que ela irá se misturar ao líquido resultante do processo de putrefação (apodrecimento) de matérias orgânicas, o chorume, contaminando rios e lençóis freáticos. “O lixo precisa ter certa umidade para que a matéria orgânica se degrade, mas deve haver um controle", afirma João Alberto Ferreira, engenheiro ambiental e consultor para a área de resíduos sólidos. "Tratar do chorume é difícil e caro, reduzir sua presença no meio ambiente é fundamental."

Cláudio Fernando Mahler, professor da Coppe/ UFRJ e pesquisador do CNPq, argumenta que o ganho de espaço nos aterros graças a nova técnica é significativo, mas ainda não resolve o problema do destino do lixo. “É necessário perceber que aterro é um passivo ambiental, já que continua se degradando ao longo dos anos. A técnica desenvolvida auxilia na ampliação do tempo de uso de um aterro, o que diminui o impacto ambiental”, afirma.

 

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