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Pernilongos enfrentam o ataque dos repelentes naturais

Nos últimos seis anos, um em cada quatro produtos registrados na Anvisa continha óleos vegetais em sua composição

Bruna Bessi, iG São Paulo |

Cientistas do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) desenvolveram um repelente natural, composto por óleos vegetais, que age contra vários tipos de insetos e pode ser comercializado em formatos inusitados, como os de pulseiras e botões. A criação dos pesquisadores tem razão de ser: o mercado de repelentes naturais está em franca ascensão no País. Nos últimos seis anos, um em cada quatro repelentes registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) era natural. No período, dos 136 produtos registrados, 37 tinham óleos naturais em sua formulação.

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A pesquisadora Sizue Ota Rogero, do Ipen, que ajudou a criar repelentes em formatos inusitados, como os de botões

No projeto do Ipen, coordenado pela farmacêutica bioquímica Sizue Ota Rogero, os repelentes de diferentes formatos liberam lentamente as substâncias repelentes sem causar alergia - as reações alérgicas são um dos principais problemas relacionados aos repelentes 100% químicos. Outra vantagem descoberta na pesquisa é a eficácia dos óleos vegetais presentes na composição. “O novo produto repele diversos tipos de insetos, não só mosquitos”, diz a cientista. “Além disso, a mistura dos óleos ajudou a potencializar o efeito da substância desenvolvida.”

O novo produto será comercializado pela empresa Millebolleblu, do ramo têxtil e de cosméticos com sede em Paulínia, região de Campinas (SP). O material escolhido para sua fabricação foi o silicone, que não causa danos ao organismo, não é tóxico nem altera a eficácia do produto. Com grande variedade em seu uso, há possibilidade de serem produzidos adereços repelentes para animais de estimação, já que a substância desenvolvida também elimina pulgas e carrapatos.

Entre os repelentes naturais mais comercializados estão os à base de citronela, uma planta aromática. Sizue espera que, após a finalização dos testes, o novo produto seja mais eficiente. “Pretendemos que a nova substância tenha um tempo de ação prolongado, seja segura e econômica”, afirma.

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Alguns dos repelentes desenvolvidos pelo Ipen

Movimento crescente

A iniciativa do Ipen exemplifica um movimento crescente na indústria, já  que cada vez mais empresas têm se dedicado ao nicho. A Bye Bye Mosquito, por exemplo, que está há um ano no mercado, fabrica pulseiras repelentes de borracha. O produto contém óleo de citronela em sua composição.

Licenciada pela Anvisa, a pulseira repele mosquitos e pernilongos. Seu efeito de repelência atinge até um metro e meio e permanece ativo durante cinco dias após a abertura.

Desde o início da comercialização já foram vendidos aproximadamente quatro milhões de exemplares. “Houve grande impacto com os consumidores, já que não precisa ser aplicado como os outros repelentes”, afirma Antônio Luis Egreja Alves da Costa, proprietário da empresa. “As perspectivas para o próximo verão é de que as vendas sejam quadruplicadas”.

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O Mosquitan, produzido pela Larus Pharma
Outra empresa que investe no setor é a Larus Pharma, fabricante italiana de repelente natural representada no Brasil pela Top Consult, que traz o adesivo Mosquitan, produzido à base de citronela. “O produto é prático, dura de seis a oito horas e tem fácil aplicação. Além disso, possui boa reputação na Europa”, afirma Fábio Gonçalves, diretor da representante do produto no País.

O adesivo mata-mosquito já está há três anos no mercado. Em 2009, as vendas cresceram 50%. “Queremos desenvolver outros produtos da linha de adesivos e nossa expectativa é vender 100 mil caixas até o final do ano”, diz Gonçalves.

Cuidados na fabricação

Regulada pela Anvisa, a fabricação dos repelentes deve seguir alguns cuidados fundamentais. Hélio Amante Miot, professor de dermatologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), ressalta que possíveis reações alérgicas devem ser consideradas, assim como a segurança do produto e as horas de repelência. “Ao desenvolver um novo repelente também é preciso preocupar-se com a possibilidade de obstrução dos poros da pele, além de garantir que o produto não seja inflamável”, afirma.

Segundo Miot, a utilização de óleos vegetais nos repelentes pode tornar-se mais frequente nos produtos, principalmente em uma composição mista com os químicos, o que tende a aumentar sua eficácia e reduzir a concentração dos químicos. “A vantagem dos naturais em detrimento aos químicos é a possibilidade do uso em indivíduos sensíveis aos componentes químicos dos repelentes. Pode ser uma alternativa”, diz.

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