Publicidade
Publicidade - Super banner
Empresas
enhanced by Google
 

Paulista comanda Sony Ericsson nas Américas

Depois de assumir cargo de presidente para Estados Unidos e Canadá, Anderson Teixeira agora também lidera América Latina

Alexa Salomão, iG São Paulo |

A rotina do executivo brasileiro Anderson Teixeira se transformou num constante entrar e sair de aeroportos. Na mesma semana, ele pode passar por Hartsfield-Jackson, em Atlanta, nos Estados Unidos, seguir para o AICM da Cidade do México, tomar cafezinho no Ezeiza, em Buenos Aires, Argentina, e esquentar cadeira no El Prat, em Barcelona, na Espanha. Teixeira tem feito de três a quatro viagens internacionais por semana para conhecer os países onde atua.

Divulgação
Anderson Teixeira é o principal executivo para as Américas da Sony Ericsson
O executivo paulista de 45 anos assumiu em janeiro último, sem alarde, o posto de principal executivo para as Américas da Sony Ericsson, a fabricante nipo-sueca de celulares. Oficialmente, o nome do cargo é presidente para os Estados Unidos e Canadá e head para a América Latina (em português, cabeça das operações). No aspecto prático, no entanto, atua mesmo como presidente de todo o continente. Cabe a ele decidir os rumos da companhia desde a pequena cidade de Alert, no extremo Norte do Canadá, a Punta Arenas, no Sul do Chile. Sob sua gestão estão dois dos maiores e mais rentáveis mercados de celulares no mundo, Estados Unidos e Brasil. Pode-se dizer que as milhagens aéreas que vem acumulando são uma espécie de símbolo de ascensão profissional. “Poucas empresas tem brasileiros em posto de destaque nos Estados Unidos, o maior mercado do mundo”, diz Dominique Einhorn, sócio diretor da Heidrick & Struggles. “Teixeira faz parte de um time particular.”

 A nova função promete ser o maior desafio da carreira de Teixeira. Não apenas por causa da abrangência geográfica do cargo, que inclui uma área com 35 países. O ponto nevrálgico está no momento em que a promoção ocorre. A gestão do executivo brasileiro precisa superar a pior crise financeira dos países ricos em 80 anos e as fragilidades da própria Sony Ericsson. No ano passado, a empresa acumulou prejuízo líquido de 836 milhões de euros e registrou uma retração de 40% nas vendas. Terminou 2009 com uma participação média de mercado de 5% - três pontos percentuais a menos do que os 8% registrados no final de 2008. O mercado chegou a ventilar que a joint venture poderia até ser desfeita. “Foi uma ano difícil, de perdas’, diz Teixeira. “Mas estamos preparando terreno para recuperar os lucros.”

Desde 2008, a Sony Ericsson vive um processo de corte de custos que impõe uma reestruturação nas operações. Já demitiu mais de 2,5 mil funcionários. Uma das mudanças foi justamente a unificação das Américas sob um único gestor – e nessa reestruturação Teixeira foi alçado ao posto de principal executivo no continente. Para entender porque uma companhia com raízes no Japão e na Suécia encarrega um brasileiro para recuperar fatias de mercados em países tão importantes, em um momento tão delicado, é preciso entender como ele chegou onde está.

 Executivo talhado pelo mercado

 Teixeira é um executivo de telefonia talhado pelo mercado. Em 1998, quando ingressou na Ericsson para ser o primeiro diretor comercial no segmento de celulares, a telefonia móvel no Brasil estava nos primórdios. Os profissionais da área se formavam no dia-a-dia dos negócios. Teixeira havia passado por grandes empresas como Brahma e Ceras Johnson, e transferiu para a Ericsson o que aprendera no mercado de bens de consumo. Montou uma agressiva equipe de vendas para negociar com o maior número possível de empresas. “As pessoas compravam o primeiro celular”, diz Teixeira. “Ganhava mais o fabricante de aparelhos que chegasse primeiro na mão do consumidor.” Sob seu comando, a Ericsson se transformou no maior fornecedor de aparelhos para operadoras de banda B. O bom desempenho o colocou em 2000 na posição de vice-presidente de vendas para a América Latina – com apenas dois anos de empresa, foi transferido para o escritório de Miami, na Flórida.

 Era esse seu posto em 2001, quando ocorreu a fusão entre Ericsson e Sony. Novamente Teixeira foi ágil. Organizou pessoalmente a estrutura de cargos e salários nesta parte do continente. Criou as equipes, estabeleceu as estratégias de venda e de marketing. Pensou até na logística de distribuição. Adotando a mesma estratégia criada para o mercado brasileiro, colocou a Sony Ericsson entre as marcas mais conhecidas entre os latinos. Seu desempenho valeu uma nova promoção. Em meados de 2005 passou a ser vice-presidente e principal executivo para a Europa Ocidental.

Lá a tarefa era mais espinhosa. “O mercado estava estabelecido”, lembra Teixeira. A única alternativa para crescer era tirar fatias de mercado da concorrência. Ele cumpriu a missão aproveitando o lançamento de dois produtos históricos para a marca: os telefones com Walkman e com câmera Cyber-shot. Nos quatro anos em que ficou à frente da Europa, no escritório de Munique, na Alemanha, fez a participação de mercado da Sony Ericsson na região triplicar de 6% para 18%.

 Em junho do passado, mais uma promoção: o cargo de presidente para Estados Unidos e Canadá, posto nunca antes ocupado por um brasileiro. Sua missão, agora instalado no escritório próximo à cidade de Raleigh, capital da Carolina do Norte, era estancar a queda nas vendas que fazia a Sony Ericsson ficar muito atrás dos concorrentes. O executivo encontrou um ambiente contraditório nos Estados Unidos. Mesmo com a crise já instalada, o mercado de telefonia móvel estava em franca expansão tecnológica. “Quando cheguei, a economia americana ainda sofria com a crise de crédito e o desemprego, mas o mercado de telefonia vivia uma transformação”, diz Teixeira. “Mesmo com a crise, as operadoras investiam na capacidade de prover transferência de dados e os fabricantes, em aparelhos com conexão digital.” A Sony Ericsson, no entanto, estava fora justamente desse novo e vibrante segmento. “Vendíamos apenas telefones normais”, diz Teixeira.

 Os aparelhos da nova geração de celulares, que mobilizam os americanos não servem apenas para falar e passar mensagens. São os chamados smartphones, os telefones inteligentes que equivalem a computadores portáteis sem fio. Navegam por comunidades como Facebook e Twitter, trocam e-mails, baixam arquivos, produzem e enviam músicas e imagens em alta velocidade e definição. São equipados com softwares, telas largas de LCD e teclados de PC para digitação. Não têm nada de parecido com aquela imagem borrada e a conexão morosa dos antigos celulares. “Há uma mudança de hábito em curso”, diz Teixeira. “Os consumidores estão trocando o telefone com 12 teclas numéricas por um celular que equivale a um portal de informações, capaz de mantê-los conectados.”

 Teixeira acredita que esse novo conceito de mobilidade, ainda concentrado nos Estados Unidos, vai se espalhar rapidamente pelo mundo nos próximos dois ou três anos e mudar a lógica do setor. Seu trabalho nos últimos meses leva em conta essa perspectiva. De um lado, ajuda no desenvolvimento de aparelhos que buscam colocar a Sony Ericsson entre os fornecedores de equipamentos digitais. Por outro, adota as viagens como meio mais rápido de transferir o espírito do momento a clientes e funcionários. “Preciso visitar as equipes, conhecer o pessoal, apresentar metas”, diz Teixeira. “Temos de ficar um passo a frente do mercado.”

 Aldeia global

 Por ter atuado em tantos países, com perfis tão diversos, Teixeira desenvolveu uma visão particular do setor em que atua. Está convicto que não é possível segmentar os consumidores de celular pela lógica das fronteiras e das culturas. O mercado de telefonia móvel transformou-se numa legítima “aldeia global” – para utilizar uma de suas expressões. “A segmentação no mercado de celulares ocorre por hábito de consumo”, diz ele. “Um consumidor classe A do Brasil não é diferente do consumidor classe A dos Estados Unidos ou da União Européia.” Dentro desse princípio, começa a ficar complicado separar consumidores até pela renda. “É certo que existem as barreiras do idioma e do poder aquisitivo, mas ainda assim a geração pós-anos 90 é digital: cresceu diante de um computador e com um celular na mão. Mesmo quem não tem dinheiro para comprar aparelhos mais sofisticados, tende a economizar ou recorrer ao crédito para ter um”, diz Teixeira.

 A etapa realmente desafiadora nesta nova fase profissional será transformar a marca Sony Ericsson em referência para essa geração de consumidores. O trabalho, de proporções continentais, vai exigir um número ainda maior de viagens. Por isso, o executivo está de mudança para Atlanta, capital da Geórgia, onde ficará mais perto dos voos internacionais: “Por questões de logística, Atlanta é bem melhor”, diz Teixeira. “A cidade tem um aeroporto grande, com conexões para todos os lugares.”

 

Leia tudo sobre: Sony EricssontelecomAmericas

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG