Agora, o governo brasileiro quer expandir o padrão nipo-brasileiro para os países da África

As Filipinas acabam de aderir ao sistema nipo-brasileiro de TV digital. O acordo foi fechado na segunda-feira, conforme revelou à Agência Estado André Barbosa, assessor especial da Casa Civil. Com isso, além do Brasil e do Japão, chega a oito o número de países que aderiram ao sistema: Argentina, Chile, Peru, Equador, Venezuela, Paraguai e Costa Rica já haviam formalizado sua adesão. Agora, o governo brasileiro aposta todos os trunfos para expandir o padrão nipo-brasileiro para os países da África.

Um grupo de empresários africanos virá ao Brasil até o fim do mês para ter acesso a todos os detalhes da tecnologia. A cartada final será a ida do presidente Luiz Inácio Lula a Silva ao continente africano para a Copa do Mundo, no início de julho, o que deve dar mais peso às negociações. "Independentemente de o Brasil estar participando da Copa do Mundo, vamos fazer demonstrações de equipamentos em vários países, aproveitando a presença do presidente Lula", destacou Barbosa.

Nessas ocasiões, serão apresentados aos africanos TVs de alta definição, conversores de sinal analógico para digital (os chamados set top boxes) e celulares. "O que ficamos sabendo é que vão decidir até o final de julho o padrão de TV digital. Por isso, essa viagem do presidente é fundamental", ressaltou Barbosa. Segundo o assessor, caso os países da África assinem o acordo, o padrão nipo-brasileiro de TV digital será o mais importante do mundo.

Um ponto favorável ao Brasil, na visão de Barbosa, é a possibilidade de países da África e Ásia usarem a tecnologia brasileira para promover o acesso da população à banda larga, já que o sistema nipo-brasileiro permite interatividade via TV. "É isso que faz a diferença do nosso padrão em relação aos outros. "A Europa, os Estados Unidos e o Japão têm banda larga. Por isso, nunca viram a TV digital como um instrumento para encurtar o caminho da inclusão digital", frisou.

Conversores

Ancorado nesse ganho de escala, o governo quer também baixar os preços dos conversores para os televisores analógicos. Na próxima segunda-feira, está marcada uma reunião com a Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), em que será apresentada uma proposta de incentivos ficais, como redução de PIS e Cofins, com o objetivo de estimular a produção de conversores e reduzir o custo para o consumidor final.

A proposta está sendo discutida com o Ministério da Fazenda. Atualmente, há poucas opções de modelos e marcas no varejo, e o preço do equipamento exclui boa parcela da população. Isso porque, desde a primeira fase de implantação da TV digital no Brasil, a indústria optou por investir em televisores que já têm o conversor embutido, o que lhe confere maior margem de lucro. O mesmo vale para as lojas de eletroeletrônicos. Agora, porém, o governo aposta na reversão desse cenário, a partir do mercado potencial para exportação de conversores para os países que aderiram ao sistema.

Outro foco é a população que não tem poder aquisitivo para comprar um aparelho de alta definição. "O que fazer com as TVs que não têm o conversor embutido? Há um mercado potencial de 30 milhões de set top box para serem vendidos", disse Barbosa. Ele lembra que a indústria detém grandes estoques de TVs analógicas, que só serão vendidas mediante a disponibilidade de conversores para serem acoplados ao equipamento por preços acessíveis. "Antes, não era interessante (para a indústria). Agora mudou. A camada da população que poderia comprar TVs de alta definição está praticamente esgotada." As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo". 

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