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Consultores especializados em varejo acreditam que, ao menos no curto e médio prazo, os consumidores não serão prejudicados pela aquisição da Casas Bahia pelo Pão de Açúcar.

Professor da Fundação Getulio Vargas em São Paulo (FGV-SP) e sócio diretor da consultoria Parente Varejo & Pesquisa, Juracy Parente diz que a Casas Bahia sempre praticou preços mais altos que os da concorrência.

A forma facilitada de pagamentos era seu principal atrativo. Mas, em termos de preços, ela sempre esteve entre as lojas mais caras, diz. Por isso, acrescenta ele, o ganho de competitividade gerado pela operação pode contribuir para a redução de preços.

No que diz respeito à concorrência, Parente aposta na força dos grupos locais para conter possíveis mudanças drásticas nos preços praticados pelo mercado: Magazine Luiza, Insinuante e Ricardo Eletro têm presença suficiente em suas regiões para segurar preços.

Um dos grandes desafios será a manutenção do posicionamento diferenciado da Casas Bahia, que sempre teve claro foco nas classes de baixa renda. Manter a cultura da empresa adquirida é uma tarefa complicada. Como a Casas Bahia tem uma marca muito forte, seria interessante manter identidades diferentes, diz Parente.

Sócio do escritório Demarest & Almeida Advogados, Mario Nogueira acredita que há dois cenários no que diz respeito ao impacto da fusão sobre os consumidores.

No primeiro, o Pão de Açúcar pode adotar uma postura semelhante ao da concorrente Walmart, que é ser agressiva na negociação com fornecedores a fim de oferecer os preços mais baixos aos clientes. A outra possibilidade é de que juntas, elas pressionem a indústria, mas não repassem os ganhos aos consumidores. Neste caso, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pode intervir, afirma Nogueira.

Juntas, Pão de Açúcar e Casas Bahia deixam bem para trás os concorrentes Walmart e Carrefour, ocupando a primeiro lugar no ranking das maiores redes varejistas do País. Posição que dificilmente será ameaçada, já que as principais concorrentes teriam de fazer inúmeras aquisições para alcançar a nova líder do setor, avaliam consultores especializados em varejo.

Pode ser que haja um estímulo para novas fusões e aquisições no varejo, mas nada que possa se comparar a esta operação, diz Parente.

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