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O remédio que vem do açaí

Corante desenvolvido a partir da fruta aumenta a eficácia de cirurgias oculares

Bruna Bessi, iG São Paulo |

Fruta tipicamente brasileira, o açaí não é apenas um alimento rico em propriedades nutricionais para os pesquisadores do Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Descoberta pelos cientistas da Unifesp, a substância do açaí denominada antocianina provou ser uma excelente opção para o desenvolvimento de corantes intraoculares.

Getty Images
Corante à base de açaí é mais barato e menos tóxico
Além de ser em média 20 vezes mais barato que os produtos tradicionais - o valor unitário de um corante pode variar de R$ 300 a R$ 500 - o corante à base de açaí é também menos tóxico, o que favorece o tratamento de pacientes que são submetidos a determinados tipos de cirurgias oftalmológicas.

A pesquisa com a fruta está em andamento há mais de um ano na Unifesp. “Identificamos que nas cirurgias de vítreo e retina eram usados corantes de custo elevado e alto nível de toxicidade para os olhos. Por isso, buscamos uma alternativa”, diz Michel Eid Farah, presidente do Instituto da Visão da Unifesp e integrantes do grupo de pesquisadores.

Os corantes são muito utilizados nas cirurgias oculares em geral e, especialmente, nas vitreorretinianas para visualizar membranas e tecidos transparentes. Os cientistas acreditam que o tratamento de doenças na retina (camada mais interna do globo ocular), como descolamento e derrames, será bastante beneficiado pela descoberta, já que o novo corante permite a visualização precisa de estruturas intraoculares durante as cirurgias.

Diversas espécies da flora brasileira, como o pau-brasil, tiveram sua capacidade de coloração testada durante a pesquisa. A escolha do açaí ocorreu devido à intensa cor roxa e à propriedade de corar temporariamente estruturas biológicas, sem liberar radicais livres. “Em cirurgias oculares, o ideal é usar corantes com reduzida capacidade oxidativa, ou seja, que gerem menos radicais livres e danos aos tecidos dos olhos”, afirma Maurício Maia, professor da Unifesp e um dos coordenadores do estudo

Novo corante está em fase final de testes

O custo do novo produto também o torna atraente. No Departamento de Oftalmologia da Universidade são realizadas cerca de 80 cirurgias vitrorretinianas por mês, e a redução do gasto com o uso do novo corante poderá ser representativa no orçamento. “Acreditamos que o maior benefício será direcionado aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), já que hoje há dificuldade na obtenção dos corantes para as cirurgias desse tipo devido ao elevado custo do produto”, afirma Maia.

Na fase final dos testes, os pesquisadores buscam estabelecer com precisão o nível de toxicidade do novo corante, já que para a comercialização do experimento é preciso que os resultados demonstrem ausência de toxinas. As cirurgias para teste já estão sendo realizadas em coelhos e os pesquisadores acreditam que a comercialização do produto possa tornar-se realidade em breve.
 

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