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Com 2,5 metros de comprimento, espaço para quatro pessoas e motor elétrico, o carro é tido como solução para o transporte urbano

Uma das principais atrações do Michelin Challenge Bibendum, evento internacional sobre veículos limpos que começou nesta segunda-feira e vai até o dia 03 de junho no Rio de Janeiro, é um protótipo de apenas 2,5 metros de comprimento e 600 quilos. Apesar do tamanho reduzido, o BB1 é uma das grandes apostas da Peugeot para resolver o problema do transporte nas grandes metrópoles mundiais. “É algo nunca visto antes na indústria”, diz Jean-Pierre Ploué, diretor mundial de design da PSA, holding que controla as montadoras francesas Peugeot e Citroën.

O BB1 tem um guidão no lugar do volante, não tem pedais de acelerador e freio e os passageiros sentam como se estivessem na garupa de uma moto
Divulgação
O BB1 tem um guidão no lugar do volante, não tem pedais de acelerador e freio e os passageiros sentam como se estivessem na garupa de uma moto
Não é apenas no tamanho que o BB1 se diferencia de outros carros. Ele será dotado de dois motores elétricos que não poluem, autonomia para rodar até 120 quilômetros e capacidade para transportar quatro pessoas. Para isso, Ploué e sua equipe usaram conceitos de motos: o BB1 trocou o volante por um guidão, não tem pedais de acelerador e freio e os passageiros se sentam como se estivessem na garupa de uma moto. “As pessoas deixam de comprar carro por causa do preço, do trânsito e da dificuldade de estacionar”, afirmou Ploué. “Achamos que o BB1 pode mudar isso”.

De seu escritório em Paris, Ploué falou ao telefone com o iG sobre o BB1, a Peugeot e o mercado brasileiro. Acompanhe os principais trechos da entrevista:

iG: Essa é a primeira vez que o BB1 vem ao Brasil. O que os brasileiros vão encontrar no carro?

Jean-Pierre Ploué: Os brasileiros vão ver aquilo que consideramos o carro do futuro. É uma tecnologia de ponta que veremos em outros modelos da empresa.

iG: No que o BB1 se difere de outros carros compactos, como o Smart?

Ploué: O BB1 é diferente, algo nunca visto na indústria. É uma nova experiência. Para começar, ele é elétrico – ou seja, não emite nenhum tipo de poluente. Ao contrário de outros modelos da mesma categoria, tem espaço para quatro pessoas. Isso porque foi feito a partir de uma moto. Com 2,5 metros de comprimento, é quase tão compacto quanto o Smart.

iG: Qual é a vantagem de produzir um carro a partir de uma moto?

Ploué: Dentro do veículo é como uma scooter. O motorista e o passageiro ficam sentados juntos, como se estivesse sentados numa moto. Isso possibilita que ele seja tão compacto. Outra vantagem é que o carro fica mais leve. E o peso é importante nos carros elétricos. Quanto mais leve, mais autonomia tem o carro.

iG: O senhor não acha que as pessoas vão estranhar dirigir um carro com guidão de moto e sem pedais de acelerador e freio?

Ploué: Para mim não é estranho. Ao contrário, gosto muito. Mas sou um caso à parte porque gosto muito de motos. Quem não está acostumado com motos pode estranhar. Até agora tivemos dois tipos de feedbacks. Alguns gostaram, acharam divertido. Mas tem pessoa que estranhou.

iG: Que tipo de pessoa o senhor acha que vai comprar o carro?

Ploué: O BB1 é um veículo urbano e, por causa disso, imaginamos que ele vai atrair diferentes tipos de compradores. Pode ser desde a pessoa que vive em grandes cidades até aqueles que estejam atrás de um veículo para alugar. Mas como o conceito do carro é novo, também acreditamos que os jovens e pessoas preocupadas com o meio-ambiente vão gostar do carro.

iG: Quando o BB1 será lançado e quanto vai custar?

Polué: O BB1 foi apresentado pela primeira vez no ano passado, durante o Salão de Automóveis de Frankfurt, na Alemanha. Mas ainda não temos resposta para nenhuma das perguntas.

iG: No Brasil esses carros compactos ainda não fizeram sucesso por causa do preço. O que pode ser feito para mudar isso em relação ao BB1?

Ploué: O carro fica ainda mais caro porque usa motores elétricos. Mas é possível produzir uma versão do BB1 a gasolina. É algo que ainda estamos estudando. Se for viável, é uma chance para levar o carro para países como o Brasil com um preço mais acessível.

iG: Outros meios de transporte já foram apontados como solução para a mobilidade urbana e falharam. Por que o senhor acredita que o BB1 seria a solução definitiva?

Ploué: Por causa da mudança de mentalidade que o mundo atravessa. Até então, pouca gente fazia pressão por um veículo menos poluente e mais compacto. Hoje as pessoas estão cada vez mais preparadas para um novo conceito. As pessoas deixam de comprar carro por causa do preço, do trânsito e da dificuldade de estacionar. Achamos que o BB1 pode mudar isso.

iG: A solução para a mobilidade urbana não é um transporte público eficiente?

Ploué: Não existe uma solução ideal. Mas é preciso dar a liberdade para que as pessoas possam se locomover de um ponto para outro da forma como acharem mais conveniente.

iG: Por que os carros elétricos como o BB1 ainda não são uma realidade?

Ploué: Por uma série de problemas. A tecnologia ainda não está pronta, a autonomia das baterias não é grande. No Salão de Automóveis de Paris, a Peugeot e a Citroën vão apresentar dois modelos elétricos, o Ion e o C-Zero. Serão os primeiros da categoria na Europa. É uma tecnologia que ainda não é definitiva, mas é um começo e um aprendizado. O segundo problema é o preço, os carros elétricos ainda são muito caros. Em média, os modelos que vamos lançar são três vezes mais caros do que os modelos convencionais.

Jean-Pierre Ploué, diretor mundial de design da PSA: o BB1 é o carro do futuro
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Jean-Pierre Ploué, diretor mundial de design da PSA: o BB1 é o carro do futuro
iG: Como será o carro do futuro?

Ploué: Existem várias respostas, uma delas é o BB1. Mas vai depender muito da necessidade do consumidor. Se uma família precisa de um carro grande para viajar com a família de cinco ou seis pessoas será preciso desenvolver um modelo eficiente, com sistemas automáticos de controle. Não tem uma única resposta. Vai depender do mercado onde a montadora quer se posicionar e do tipo de resposta ela quer dar ao consumidor.

iG: A Peugeot acabou de lançar no Brasil o Hoggar, um carro 100% desenvolvido e produzido no Brasil. Qual é a importância desse carro para o crescimento da empresa no País?

Ploué: A PSA quer ser mais forte no Brasil. Estamos preparando carros que serão vendidos no País e em outros países da América Latina. O Hoggar é uma aposta para esse mercado. Estamos preparando uma série de produtos que serão lançados no Brasil. Se queremos crescer no País, precisamos dar uma resposta à altura.

iG: O senhor acabou de visitar o Brasil. O que achou do mercado local?

Ploué: Em termos de design, as pessoas gostam de veículos no qual se sintam seguros. Mas o que mais me chamou a atenção é que é um mercado voltado para carros populares. É nisso que precisamos investir. Temos carros como o Peugeot 207, mas talvez ele não seja barato o suficiente para o mercado brasileiro.

iG: O senhor é apontado como um dos responsáveis pela transformação da Citroën nos últimos anos. O que podemos esperar em relação a Peugeot?

Ploué: A Peugeot precisa acertar a mão em relação ao design. Estamos preparando uma grande mudança no design dos carros. Parte da estratégia é apresentar carros conceito, como o BB1.

iG: Um diretor da Peugeot afirmou que a empresa vai saltar três posições no ranking mundial das montadoras. Como a empresa espera fazer isso?

Ploué: É uma combinação de fatores. Além do design, vamos investir na qualidade do produto e na presença em todos os mercados importantes. Em alguns lugares, como a França, estamos muito bem. Em outros não tanto. Precisamos ter um bom nível em todos os mercados. Essa é a melhor forma de ser uma empresa global e eficiente.

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