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Conhecimentos sobre o cérebro permitem impulsionar bons resultados nas empresas que adotam práticas inovadoras

A década de 1990 foi decisiva para o desenvolvimento dos conhecimentos sobre o funcionamento do cérebro humano. Declarada pelos EUA como a “Década do Cérebro”, grandes investimentos foram feitos na formação de grupos de pesquisa, criação de laboratórios, distribuição de bolsas para pesquisadores e realização de estudos para desenvolvimento na área de drogas e em instrumentação.

O resultado é que, já a partir de 1995, multiplicaram-se os periódicos e livros com resultados de pesquisas relatando a nova visão do funcionamento cerebral em relação às mais diversas áreas do conhecimento: medicina, biologia, química, psicologia, psiquiatria, administração/gestão, ensino, etc.

Alguns dos conhecimentos mais significativos provêem dos recentes estudos sobre memória e aprendizado, juntamente com o mapeamento da área de emoções. Destes segmentos do conhecimento, já podemos, hoje, tirar informações que simplesmente revolucionam a forma como uma empresa deve selecionar, treinar, motivar e organizar seu pessoal, de maneira a criar condições mais apropriadas para o aumento da satisfação e desempenho pessoais, liberação natural de criatividade, maior desempenho na dinâmica do processo empresarial e obtenção dos melhores resultados na formação de equipes. Tudo isso, traduzindo-se na maximização de retorno para os próprios funcionários, administradores e, principalmente, acionistas.

A já quase consolidada visão da não existência de “talentos”, mais sim da necessidade de planejamento do que é chamado de prática deliberada, mostra sistematicamente que é possível conduzir pessoas a desempenhos excepcionais – sem que elas exibam comportamento prévio de qualidade significativa!

A compreensão de que as estruturas de medo criam processos emocionais que estabelecem limites no desempenho individual e de equipe – e que estas estruturas são acionadas pela forma como a comunicação e a organização das tarefas ocorre na empresa –, conduz ao estabelecimento de melhores práticas de gestão e à criação de técnicas eficientes e não especializadas de intervenções individuais, voltadas, especificamente, à superação de bloqueios no ambiente de trabalho.

Quando lembramos que: (i) a inovação é feita por pessoas; (ii) que este fenômeno ocorre tão mais facilmente quanto mais motivadas e seguras estas pessoas se sentirem; e (iii) que ela surge, naturalmente, como resultado do estabelecimento de um ambiente “intra-emprendedor” (ou seja, onde há reconhecimento, comunicação fluida, apoio individual, ambiente físico adequado, estímulo, etc.), concluímos que para o adequado desenvolvimento do capital humano (e ganho de eficiência nos processos relacionados) é necessária a aplicação de conhecimentos básicos das neurociências na seleção, treinamento e desenvolvimento pessoal, criação de ambiente físico e de comunicação adequados, além do estabelecimento de novas formas de gestão para um ganho efetivo de qualidade nos processos internos e, não menos importante, no relacionamento diferenciado com parceiros e competidores.

Alexandre Souza é diretor sênior da Alvarez&Marsal e diretor geral do Instituto Brasileiro de Inovação e Empreendedorismo (IBIE)

Carlos Alberto Franco é diretor executivo da Senses Consultoria

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