Quando dez ex-funcionários da Polaroid uniram-se, em 2008, eles ressuscitaram a fotografia de revelação instantânea, um nicho que naquele momento já não interessava nem à própria Polaroid, sua criadora. Hoje, são 36 pessoas trabalhando na fábrica do The Impossible Project, em Enschede, na Holanda. Eles são os derradeiros defensores da fotografia em polaróide, o filme de revelação imediata.
- Conheça empresas sobreviventes de setores dados como mortos
O grupo inicial, formado por técnicos, engenheiros e um químico, comprou o maquinário de sua antiga empregadora, mas a Polaroid não forneceu a eles tecnologia ou qualquer outro suporte técnico. Foi necessário, portanto, reinventar a fotografia analógica instantânea. Com a iniciativa, “impediu-se que 300 milhões de câmeras se tornassem obsoletas”, segundo um dos mantras do Impossible Project. Esse foi o número aproximado de câmeras instantâneas fabricadas pela Polaroid entre as décadas de 1970 e 1990.
Mas o grupo não se contentou com a reinvenção dos filmes. “Estamos desenvolvendo o design de uma nova câmera analógica instantânea, da Impossible”, disse ao iG Florian Kaps, que está à frente do projeto e do qual é um dos fundadores. “O plano está indo muito bem e esperamos apresentá-lo na Photokina 2012”. A feira, uma das mais importantes da indústria fotográfica no mundo, é realizada a cada dois anos em Colônia, na Alemanha.
Para sair do chão, o Impossible Project recebeu o apoio financeiro de 12 investidores privados – seus nomes e o montante injetado no projeto não foram informados. Os 36 defensores da trincheira da fotografia instantânea não alimentam a utopia de reviverem a atuação para as massas, como a experimentada pela Polaroid em seus melhores anos. “Nosso mercado hoje é pequeno, mas é nicho muito vivo. Criamos um mercado pequeno e interessante, como o vinil fez”, afirma Kaps.
A Polaroid voltou a fabricar máquinas de revelação instantânea, em parceria com o Impossible Project. A tecnologia não é a mesma das máquinas que imprimem fotos na hora
Nascida em 1937, a Polaroid entrou em parafuso com a difusão da fotografia digital. O baque da chegada da nova tecnologia injetou gasolina no incêndio que a empresa tentava apagar desde o fim dos anos 1980, quando ela se endividou para fazer frente a uma oferta hostil de aquisição de seu controle. A companhia quebrou em 2001 e reorganizou-se como uma nova empresa, que entrou em concordata em 2008 em meio a uma investigação por fraude em sua controladora.
Hoje, renovada, a empresa adotou a popstar Lady Gaga como a cara dessa nova fase. A cantora foi anunciada em 2010 como diretora de criação de uma linha especial de produtos da companhia. Nesse pacote, a empresa voltou às suas origens e, para surpresa do mercado, relançou uma máquina de fotografia de filme com revelação instantânea. O relançamento ocorreu por meio de uma parceria com o Impossible Project, fabricante dos filmes e proprietário único das enormes máquinas necessárias para a produção do material. Todas as outras que existiam no mundo foram destruídas – “e por isso a produção será sempre, e exclusivamente, na Holanda”, segundo os integrantes do projeto.
Alheio à concorrência com a fotografia digital, Florian Kaps diz que a demanda por seus produtos tem crescido. Ele afirma estar otimista com o futuro. “A verdade é que as pessoas estão se cansando das suas vidas digitais e virtuais. Elas estão, mais uma vez, em busca de coisas reais, de valor”.
A última fábrica de pinball do mundo ainda tem fichas
Empresa nos EUA mantém viva a fabricação de máquinas de escrever
A máxima da última fábrica de vinil: há comprador para tudo
Sucesso não é garantia de sobrevida de produtos e marcas
| código | nome | var. % |
|---|
| moeda | compra | venda | var. % |
|---|
| indice | data | ultimo | var. % |
|---|