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Multinacionais fomentaram cultura empreendedora

IBM e a Burroughs formaram os primeiros profissionais e inspiraram novos negócios e cursos acadêmicos na área de tecnologia

Alexa Salomão, do Recife |

No início dos anos 70 duas empresas internacionais da área de tecnologia instalaram-se no Recife, as norte-americanas IBM e a Burroughs, atual Unisys. Ambas precisavam de mão de obra local especializada e exerceram forte influência sobre o desenvolvimento de novas tecnologias na região. Segundo Francisco Saboya, diretor presidente do Porto Digital, não é possível dissociar a criação do polo de tecnologia do Recife, capital de Pernambuco, do movimento dessas duas empresas e de seus efeitos sobre o mercado local. “IBM e Burroughs lançaram as bases para o mercado de tecnologia da informação em Pernambuco”, diz Saboya.

Jorge Luiz Bezerra
Para atender o surgimento de um novo mercado, a Universidade Federal de Pernambuco investiu na formação de jovens altamente qualificados

As companhias exerceram três efeitos na região. O primeiro deles foi formar profissionais pernambucanos dentro de critérios globais. Custearam treinamentos e viagens de executivos e técnicos a unidades no exterior para apresentar-lhes novas tecnologias e métodos de trabalho. O segundo efeito foi gerar uma cultura empreendedora. Nos anos seguintes, esses mesmos profissionais deixaram as empresas para abrir seus próprios negócios e foram contratados como prestadores de serviço, não apenas pela IBM ou a Burroughs, mas também por bancos, grupos de varejo e empresas de outros ramos de negócio que começaram a instalar áreas de TI. “Formou-se, assim, uma nova classe de trabalhadores especializados”, diz Saboya.

O terceiro efeito recaiu sobre as instituições de ensino. Criado o mercado local, a academia mobilizou-se para atender a busca por profissionais qualificados. Num primeiro momento, a Universidade Federal de Pernambuco ofereceu disciplinas na área, mas por fim abriu um departamento e depois criou seu Centro de Informática. Quando cultura de TI tornou-se mais sofisticada, a universidade decidiu acompanhar o mercado mais de perto. Incluiu no planejamento estratégico metas ousadas para o Centro de Informática, como criar um doutorado e aprimorar o curso de graduação para colocá-lo entre os 10 melhores do país. A meta foi alcançada em grande parte por um programa que enviou professores para fazer doutorado no exterior. “Ao retornarem, esses docentes formaram profissionais altamente qualificados”, diz Saboya. “A qualificação gerou mais qualificação ainda.”

Dentro desse ambiente, os profissionais pernambucanos tornaram-se referência de qualidade. O Bom preço, por exemplo, uma das maiores redes de supermercados do Nordeste, teve toda sua estrutura de TI desenhada por profissionais locais. Chegou a empregar 400 técnicos especializados. Sua área TI consagrou-se de tal maneira que foi aproveitada pelo Wal-Mart depois companhia americana adquiriu a rede em 2004. “O Wal Mart tem um centro de processamento de dados nos Estados Unidos que serve suas unidades no mundo interior”, diz Saboya, do Porto Digital. “Mas ainda utiliza parte do sistema do Bom Preço depois que adquiriu a empresa.”

Perda de cérebros

No final dos anos 80, no entanto, as áreas de informática passaram a concentrar-se no Sudeste ou começaram a migrar para outros países, num prenúncio da globalização que se instalaria na década seguinte. A oferta de empregos na área de TI minguou em toda a região Nordeste. Quando a década de 90 começou, 75% dos estudantes migravam para outros estados ao finalizar cursos de informática. “Começamos a perder cérebros”, diz Saboya. “E somos pobres, não podemos nos dar ao luxo de exportar cérebros.”

Para deter a sangria dos talentos, os professores do Centro de Informática decidira eles mesmos criarem uma alternativa: uma braço da academia que agisse como uma empresa. Fundou-se em 1996 o C.E.S.A.R., Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife. Trata-se de uma entidade sem-fins lucrativos, com professores não remunerados traçando as políticas e executivos de mercado atuando como dirigentes. Sua função: criar produtos, serviços e empresas na área de tecnologia. O C.E.S.A.R. cumpriu o seu papel. Começou a firmar contratos com empresas e a ajudou na criação de novos negócios na área. Mas suas iniciativas não foram suficientes. Quatro anos depois, o Centro de Informática mobilizou-se para criar o Porto Digital.


 

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