RIO - As empresas mineradoras de ouro tiveram um grande desempenho a partir da crise financeira internacional de 2008, mas permanecem as limitações para o crescimento das reservas e da produção no longo prazo. A análise foi feita pelo vice-presidente da canadense Barrick Gold, Richard Ball, que comemorou a tendência iniciada nos últimos dois anos de compra de ouro pelos bancos centrais mundiais, por conta dos efeitos da turbulência global.

"No primeiro semestre, foram compradas 55 toneladas de ouro pelos bancos centrais, grande parte pela Rússia. A tendência continua e poderá ser uma reversão do movimento anterior", frisou Ball, que participou do 14º Americas School of Mines, que acontece no Rio de Janeiro. O executivo ressaltou que, no primeiro trimestre, houve forte aumento na produção de barras de ouro e de moedas. No caso das barras foram 90 toneladas, enquanto 230 toneladas de moedas foram produzidas entre janeiro e março, o maior volume em 23 anos. Para Ball, o principal problema é a capacidade da oferta fazer frente ao crescimento da demanda mundial. "A oferta é pouco elástica", sentenciou. "Mas as grandes taxas de desemprego nos Estados Unidos e a crise da dívida na Europa criam um ambiente muito favorável para o ouro", acrescentou. Para Ball, a tendência é de aumento da lucratividade das mineradoras de ouro. Segundo ele, a produção anual gira em torno de 1,1 bilhão de onças por ano, sendo que um terço disso está nas mãos de cinco empresas. Em termos de custos operacionais, 60% dos projetos tem gastos de até US$ 460 por onça. Para a expansão da produção, as perspectivas em áreas mais remotas tornam comuns projetos de mais de US$ 1 bilhão. Outra boa notícia vem da expectativa de aumento do fluxo de caixa das companhias, que era "muito pequeno" até 2010. "A crítica era de que as mineradoras de ouro não geravam fluxo de caixa livre, mas a tendência mudou [com a alta dos preços] e as empresas têm gerado muito caixa livre, o que pode servir para expansões ou aquisições", disse Ball. (Rafael Rosas | Valor)

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