SÃO PAULO - A possibilidade de abrir um negócio próprio sem ter de encarar os desafios de construir uma marca do zero tem atraído jovens para o mercado de franquias. Segundo pesquisa da Rizzo Franchise, empresa especializada no setor, mais de 12 mil pessoas com menos de 25 anos possuem franquias no País. Os jovens empresários representam 16,10% dos franqueados brasileiros, parcela que cresce cada vez mais.

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De acordo com o levantamento, realizado em julho de 2009, a participação dos jovens cresceu 17% em relação ao ano anterior. Marcus Rizzo, responsável pela pesquisa, destaca que os novos empresários buscam principalmente sucesso rápido e segurança. A franquia significa a compra da experiência. O franqueado recebe um modelo pronto e já testado.

Porém, especialistas alertam que abrir uma franquia não é tão fácil quanto pode parecer. É preciso ter afinidade com o negócio pretendido, planejamento e preparo, além de suporte financeiro. No caso de muitos que se arriscam sem os requisitos necessários, a ilusão de enriquecimento rápido pode causar muita dor de cabeça. Quando fomos conhecer a franquia o franqueador mostrou um castelo, e não era isso, conta Sidnei Ricardo Lobo, de 39 anos, que apostou suas fichas em uma escola de informática.

Eu saí com uma mão na frente e outra atrás

Antes sócio de um posto de gasolina e sem conhecimento nenhum na área de tecnologia, Lobo se queixa de não ter recebido suporte suficiente da empresa. Como a Microlins tinha nome, fazia propaganda,

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Santi e sua equipe da franquia no ABC

resolvemos apostar. Fomos com toda aquela ilusão de que teria um apoio legal, mesmo sem experiência do ramo, diz Lobo. A unidade, inaugurada em 2004 na zona leste de São Paulo, durou cerca cerca de três anos. Eu saí com uma mão na frente e outra atrás, afirma.

Segundo Daniel Guedes, diretor de operações da empresa, porém, a Microlins forneceu a Lobo todo o treinamento oferecido às outras unidades. "Temos quase 800 franquias e todas têm o mesmo suporte. Se fosse uma deficiência do sistema, teria uma enxurrada de reclamações". De acordo Guedes, a empresa oferece suporte presencial e por meio de um canal especializado de TV.

Já Rafael Angelo Del Santi, de 24 anos, dono de uma franquia Rei do Mate no centro de São Caetano do Sul, no ABC Paulista, ficou satisfeito com o suporte oferecido pelo franqueador.  Durante o treinamento, eles abordam a parte administrativa do negócio, o operacional, o controle de estoque, o faturamento e as questões de vigilância sanitária.

Investimento x retorno

O setor de franquias tem atraído os jovens pelo bom desempenho. No ano passado, faturou R$ 55 bilhões e registrou crescimento de 19,5% em relação a 2007, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF). No primeiro semestre deste ano, o faturamento teve alta de 20,9% sobre o mesmo período de 2008, aponta a ABF.

Deiverson Migliatti, de 25 anos, diz que a vontade de abrir o próprio negócio era antiga. Fiz pós-graduação em Comunicação com o Mercado e curso no Sebrae, mas fiquei com medo de arriscar, de começar sem expertise. A franquia dá um modelo de negócio e confiança de retorno. Você não é só mais um na praça, diz ele, que investiu em uma unidade da rede de fast-food Subway.

Santi investiu R$ 200 mil na montagem da franquia. Já a loja de Migliatti custou R$ 150 mil. Ambos contam com a perspectiva de retorno do investimento em até 36 meses. A média de retorno do capital geralmente é de 28 meses, mas é incorreto se guiar por esse prazo, pois cada negócio tem um perfil, destaca Rizzo.

"A franquia dá um modelo de negócio e confiança de retorno. Você não é só mais um na praça"

Especialistas pedem cautela na hora de recorrer ao crédito para abrir uma franquia. Não aconselho pegar empréstimo, mas caso seja necessário, recomendo verificar se a pessoa conseguirá pagar o financiamento. A porcentagem do empréstimo não deve ultrapassar 50% do valor da franquia, porque tende a comprometer os rendimentos, alerta Rizzo.

Filomena Garcia, publicitária especializada em varejo e marketing e sócia-diretora da Franchise Store, é ainda mais cautelosa: O empresário deveria entrar no negócio com 20% a mais de capital do que ele precisa investir. Para ter uma vida saudável, espera-se que ele tenha pelo menos 70% do necessário para abrir a franquia.

Afinidade

O franqueado também deve estar atento na hora de escolher em qual área vai atuar, ressaltam os especialistas. A oportunidade tem de estar ligada ao que o empresário tem de sintonia com a área. Se um

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Migliatti em sua franquia de alimentos
funcionário faltar, é o dono do negócio que irá pro balcão atender, e por isso tem de ser algo que ele goste muito, diz Filomena. Rizzo corrobora: Não adianta buscar uma área que seja quente, que esteja em alta no mercado. Você precisa se identificar com o negócio.

Migliatti afirma ter levado a orientação em conta quando escolheu o ramo no qual gostaria de atuar. A ideia de abrir uma franquia surgiu durante um "mochilão". "Viajei para mais de 20 países e comi diversas vezes em lojas do Subway. Até na Tailândia encontrei uma unidade. Achei muito interessante essa presença mundial", diz.

Pesquisar sobre o assunto e conversar com franqueados é outra dica de Rizzo. Converse com franqueados mais jovens, que estão no negócio há menos de dois anos, e com empresários mais velhos, que tem franquia há mais de dois anos.

Regras e erros

Outro problema apontado com relação a esse modelo de negócios é que o formato engessado das franquias não permite que os empresários exerçam a criatividade. O contrato tem limitações. Não temos a mesma flexibilidade do comércio comum. É possível oferecer promoções, combos, mas sempre com a autorização da empresa, diz Santi. Para Rizzo, as regras da franquia limitam a liberdade dos empresários: "O franqueado segue a fórmula de operação. É diferente de um empreendedor, porque ele não constrói, pega um negócio pronto".

Além do valor inicial pago pela franquia, os franqueados pagam taxas mensais relativas aos royalties (sobre faturamento bruto da operação) e ao marketing da marca.

"No momento em que o franqueador promete uma remuneração, ele comete um erro grave"

De acordo com o advogado especializado na área Helio Fabbri Jr., quem pretende investir nesse tipo de negócio precisa conhecer bem as regras antes de se comprometer com a marca. A primeira coisa é pedir a circular de oferta de franquia, documento no qual o franqueador tem obrigação de revelar uma série de informações sobre a franquia, valores que serão pagos em termos de taxa de franquia e taxa de publicidade, diz.

Fabbri destaca ainda que, enquanto o contrato de franquia existir, o franqueador é obrigado a dar assistência contínua ao franqueado. Porém, não há como receber uma garantia de específica de retorno. No momento em que o franqueador promete uma remuneração, ele comete um erro grave. O que ele pode fazer é dar uma expectativa de retorno em um determinado tempo, afirma.

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