SÃO PAULO - A Globex, dona do Ponto Frio e veículo usado pelo Pão de Açúcar para comprar o controle das Casas Bahia, apresentou nesta sexta-feira uma lista com 119 nomes de pessoas que estavam a par do negócio com a família Klein antes de sua divulgação pública.

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A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está investigando o movimento atípico detectado com as ações da Globex nos dias que antecederam o anúncio, feito uma semana atrás, do acordo entre Pão de Açúcar e Casas Bahia.

Entre o fechamento de 13 de outubro, que antecedeu a primeira reunião entre as partes, e 3 de dezembro, véspera do fato relevante sobre a compra de 51% das Casas Bahia, as ações da Globex tiveram valorização de 78%. Apenas no último dia 3, a alta dos papéis foi de 35%.

Diante da forte oscilação das ações da Globex, o anúncio da aquisição das Casas Bahia foi antecipado, segundo revelou o presidente do Conselho de Administração do Pão de Açúcar, Abílio Diniz.

Ele não disse, porém, se havia evidência de uso de informação privilegiada em operações de compra e venda das ações da Globex.

Em esclarecimentos à CVM, a Globex listou os nomes e os CPFs de pessoas ligadas à empresa, consultores, auditores, advogados e assessores financeiros que tiveram acesso a informações sobre a compra das Casas Bahia antes da divulgação do fato relevante.

Quarenta e oito nomes são da Globex ou do Pão de Açúcar, incluindo o alto escalão das empresas. Há ainda, relacionados, quatro funcionários da consultoria Accenture, 21 colaboradores da auditoria Ernst & Young, 28 funcionários da assessoria financeira Estáter, 13 advogados e 1 representante da consultoria econômica Fagundes & Associados.

Completando a lista, quatro pessoas ligadas ao grupo francês Casino, que possui 36,7% do capital total do Grupo Pão de Açúcar.

Além dos nomes, a Globex informou, a pedido da CVM, uma cronologia detalhada dos eventos relacionados à compra do controle das Casas Bahia.

A primeira reunião mencionada aconteceu em 14 de outubro, no escritório de João Paulo Diniz, um dos filhos de Abílio. Estiveram presentes, na ocasião, Michel e Raphael Klein - respectivamente filho e neto de Samuel Klein, o fundador das Casas Bahia - e Abílio, entre outros.

Foram 24 encontros no total, até o último em 3 de dezembro na Estáter, com as equipes da assessoria financeira, do Grupo Pão de Açúcar e das Casas Bahia, além de advogados.

A compra do controle das Casas Bahia reforçou a presença do Pão de Açúcar no varejo. O grupo tem agora vendas superiores ao faturamento combinado de seus dois rivais mais próximos, Carrefour e Wal-Mart.

Pelos termos do acordo, os negócios das Casas Bahia serão integrados à Globex e a lojas Extra-Eletro do conglomerado de Abílio Diniz.

Após a conclusão da transação, que deverá ocorrer em até quatro meses, o Pão de Açúcar terá 51% das ações ordinárias da Globex, enquanto os atuais donos das Casas Bahia deverão chegar a 49% do capital votante. A expectativa é que a associação gere sinergias de R$ 2 bilhões.

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