Lucro da Vale cai 18,3% no trimestre

Mineradora vai pagar o recorde de US$ 9 bilhões em dividendos para os acionistas em 2011, três vezes mais que em 2010

AE | 26/10/2011 19:33

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O lucro líquido da Vale no terceiro trimestre do ano foi de US$ 4,935 bilhões (aproximadamente R$ 8,6 bilhões) uma queda de 18,3% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. A geração de caixa medida pelo Ebitda ajustado da mineradora brasileira ficou em US$ 9,631 bilhões no período, alta de 9,3% sobre igual intervalo do exercício anterior. Já a receita líquida atingiu US$ 16,741 bilhões no período, um avanço de 15,5% em relação ao terceiro trimestre de 2010.

Leia também: Com aquisições, Vale visa liderança e se destaca em 3 categorias do Prêmio Negócio do Ano

No padrão IFRS, o lucro caiu 25,2%, para R$ 7,893 bilhões. Apesar do cenário de incertezas no mercado internacional - que nas últimas semanas começou a levar para baixo o preço do minério de ferro no mercado spot (à vista) -, a Vale seguiu beneficiada no terceiro trimestre pelo preço ainda elevado da matéria-prima. Assim, o cenário de aperto entre oferta e demanda do insumo foi preponderante no desempenho da companhia.

Esse foi o sexto trimestre em que os preços contratuais do minério foram reajustados pelo modelo trimestral, que entrou em vigor em 1º de abril do ano passado. O cálculo do reajuste que vigorou no período de julho a setembro de 2011 foi feito a partir da média das cotações do mercado spot da China entre os meses de março e maio, levando-se em conta fatores como qualidade do minério e frete. Desde a adoção do novo sistema, o único reajuste negativo foi o fechado para o quarto trimestre de 2010. Para o terceiro trimestre, o modelo apontou estabilidade em relação ao segundo trimestre do ano. Esse foi o primeiro trimestre completo com Murilo Ferreira no comando da mineradora.

O executivo substituiu em maio Roger Agnelli, que ficou no cargo mais alto da Vale por dez anos. Uma das mudanças da nova gestão será verificada amanhã, quando a companhia realizará três teleconferências para comentar os seus resultados: duas para analistas (português e inglês) e uma para a imprensa. Antes a Vale promovia apenas um encontro telefônico: para analistas, em inglês.

A mineradora vai pagar em dividendos aos acionistas US$ 9,0 bilhões em 2011 (ou o equivalente a R$ 15,8 bilhões pelo câmbio atual), uma cifra recorde e três vezes maior o valor que foi distribuído no ano passado.

Leia a seguir íntegra do comunicado enviado pela Vale sobre o desempenho no terceiro trimestre:

"Vale S.A. (Vale) anuncia outro trimestre com resultados recordes, refletindo excelente desempenho operacional e financeiro. A produção de minério de ferro, pelotas, cobre e carvão térmico alcançou recordes históricos, assim como a receita operacional, o lucro operacional e a geração de caixa.

A geração de caixa, fundamental para a criação de valor, atingiu marca recorde de US$ 9,6 bilhões no trimestre e US$ 36,7 bilhões nos últimos 12 meses, ao passo que o lucro contábil sofreu impacto não caixa de US$ 2,9 bilhões associado à desvalorização do real, nossa moeda funcional, em relação ao dólar norte-americano . Apesar da magnitude desse efeito não caixa, o lucro líquido atingiu US$ 4,9 bilhões, o que se constitui em resultado bastante robusto.

Em meio a um ambiente de alta volatilidade dos preços dos ativos financeiros, que tem penalizado os acionistas, uma vez que uma recessão global foi precificada em nossas ações, a Vale continua criando valor. A geração de valor é fruto do crescimento de receita e da obtenção de altos retornos sobre o capital investido a taxas bem acima do custo de capital.

Novas plataformas de criação de valor foram entregues ao longo dos últimos trimestres: Bayóvar, Tres Valles, Onça Puma, Omã, Moatize I, Estreito e Karebbe. Como estes projetos estão em fase de início de produção e/ou em processo de ramp-up, o efeito pleno de sua operação sobre a receita e do fluxo de caixa só se materializará no futuro.

Na busca da melhoria contínua da alocação de capital, fundamental para a maximização de valor, temos desenvolvido várias iniciativas com vistas ao aprimoramento do desenvolvimento de projetos no sentido de viabilizar a maximização de seus retornos para os acionistas, compreendendo desde o licenciamento ambiental até a transição para a fase operacional.

Ao mesmo tempo, passamos a adotar uma postura mais voltada para o retorno do excesso de caixa aos acionistas.

A remuneração aos acionistas em 2011 alcançará US$ 9,0 bilhões, uma cifra recorde, igual a três vezes o que foi pago no ano passado, o que implica em elevado dividend yield, recompensando, assim, os investidores que tem sofrido os efeitos de um fraco desempenho dos mercados de ações.

Simultaneamente ao retorno de caixa via dividendos, está em curso um programa de recompra de ações de até US$ 3,0 bilhões até 25 de novembro de 2011, dos quais US$ 2,0 bilhões foram executados no 3T11 (terceiro trimestre de 2011).

Apesar do pessimismo sobre a macroeconomia nos mercados financeiros, permanecemos confiantes nos fundamentos de longo prazo dos mercados globais de minerais e metais e em nossa capacidade de continuar a gerar valor através dos ciclos de negócios."
 

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