Publicidade
Publicidade - Super banner
Empresas
enhanced by Google
 

"Líderes inseguros barram inovações", diz consultor

Praveen Gupta diz que muitas grandes companhias preferem funcionários que não pensam por temer mudanças

Carla Falcão, iG São Paulo |

Autor dos livros “Inovação Empresarial no Século 21” e “The Innovation Solution” (sem tradução para o português), o indiano Praveen Gupta é reconhecido por prestar consultoria em inovação para grandes empresas e organizações de diversos países, como o Grupo Sonae e o Instituto de Tecnologia de Illinois, nos Estados Unidos. Ao longo de sua carreira, Gupta chegou à conclusão que, na maioria dos casos, o principal entrave à inovação dentro de uma companhia é a presença de um líder inseguro, relutante em assumir riscos, cujos funcionários não o desafiam.

Divulgação
Praveen Gupta, consultor indiano e autor de livros sobre inovação
“Este executivo, que ignora qualquer forma de inovação, sente-se desconfortável com mudanças e tem medo do que considera indisciplina por parte de seus subordinados. É justamente nessas empresas que os funcionários são desencorajados a pensar”, diz Gupta. Em sua opinião, apenas 20% dos presidentes de empresa estão comprometidos com a inovação.

Gupta, que também preside a consultoria Accelper, observa que pesa nas companhias a percepção de que é preciso gastar muito para criar produtos e serviços inovadores “Isso é mito”, afirma. Criamos soluções alternativas e mais eficientes quando surgem as necessidades”, afirma.

 

Leia a entrevista com Praveen Gupta.


iG: No livro “Inovação Empresarial no Século 21, o sr. afirma que a falta de tempo para pensar é um dos maiores obstáculos à inovação nas empresas. As grandes companhias preferem funcionários que não pensam?

Gupta: As pessoas estudam para ter maior qualificação e conseguir bons empregos, nos quais sua capacidade de pensar e resolver problemas seja reconhecida e remunerada. Mas, o que venho observando, é que quanto maior o nível de educação, menos as pessoas têm tempo para pensar. Isso acontece porque infelizmente há muitas empresas grandes que desencorajam seus funcionários a raciocinar. Muitas até preferem profissionais que não pensam, pois acreditam que isso possa levar à perda de produtividade ou gerar indisciplina em níveis hierárquicos inferiores.

O que essas corporações esquecem é que o propósito de qualquer empresa é gerar produtos e serviços pelos quais os consumidores desejam pagar. Para que isso aconteça, é fundamental contar com equipes motivadas. Minhas pesquisas demonstraram que funcionários com liberdade para pensar e se expressar costumam trazer à tona as melhores e mais criativas ideias para impulsionar o crescimento da companhia.

iG: Quais são as principais dificuldades para estimular a inovação identificadas nas empresas? 

Gupta: A falta de compromisso da liderança da companhia com a inovação é, sem dúvida, um dos maiores obstáculos. Após anos de trabalhos como consultor em grandes empresas, pude identificar dois tipos de líderes. O primeiro é aquele que valoriza o conceito de inovar e está disposto a assumir riscos, investir, pensar e desafiar aos outros e a si mesmo. Já o segundo tipo, é aquele que ignora qualquer forma de inovação, sente-se desconfortável com mudanças e tem medo do que considera indisciplina de seus subordinados.

Ousaria dizer que a maior parte dos executivos é inovadora por natureza. Mas, diante do atual cenário econômico e da pressão pelo retorno dos investimentos no curto prazo, poucos se animam a apostar suas fichas em algo incerto. Acredito que apenas 20% dos presidentes das maiores companhias estejam de fato comprometidos com a inovação. Para reverter esse quadro, recomendo aos presidentes e diretores que, em primeiro lugar, assumam um compromisso com a construção do negócio em si e, depois, aprendam tudo que for possível sobre a ciência da inovação. 
 

iG: Desde a crise econômica, inovar parece ser a solução para tudo. Da redução de custos à conquista de novos clientes, passando até mesmo pela melhoria de clima organizacional. Não há um certo exagero?

Gupta: Inovação é, certamente, a palavra da moda. Todo mundo fala em inovação para comprovar a exclusividade de seu produto, solução ou serviço. De fato, inovar não representa mais uma opção da qual a empresa possa abrir mão sem prejuízo para o negócio. Hoje, trata-se de uma escolha entre crescer e ficar estagnado, inovar ou morrer. Não são apenas as empresas que precisam ousar e criar novos produtos, mas também as pessoas. Para os indivíduos, inovar tornou-se uma habilidade mandatória no século 21 pela necessidade crescente de se adquirir e criar conhecimento rapidamente. 
 

iG: Recente pesquisa divulgada no Brasil revelou que uma das profissões do futuro é a de Chief Innovation Officer, função voltada para pesquisa, planejamento e aplicação da inovação. As empresas estão preparadas para contratar este tipo de profissional? 

Gupta: A inovação tornou-se um novo campo de trabalho, assim como vendas, marketing e design, exigindo uma estrutura definida. Pode ser que a empresa esteja preparada para ter um diretor de inovação ou simplesmente um analista. O que importa é que esta nova função tenha um foco previamente definido e que o profissional apresente uma visão estratégica de negócios, uma orientação para o aumento dos lucros e uma excelente capacidade de comunicação, além, é claro, de conhecimentos sobre a ciência de inovar.
 

iG: Após tantos recalls envolvendo a indústria automotiva, que conselhos o sr. daria às companhias que abriram mão do cuidado com a qualidade de produtos e serviços diante da pressão por rapidez no lançamento de novos produtos?

Gupta: Investir em inovação e abrir mão da excelência é uma equação que não fecha. Mesmo empresas que sempre prezaram pela qualidade, como a Toyota, pagam o preço por escolher caminhos mais curtos e ignorar seu próprio compromisso com a perfeição dos produtos. Inovações lançadas no mercado sem os devidos cuidados podem agradar momentaneamente a área de marketing, mas acabam tornando-se um grande problema para as equipes de vendas. O custo de uma falha no processo de criação de um novo produto ou serviço, lançado sem os devidos testes, pode tirar completamente o charme da inovação e se reverter em um grande prejuízo para a companhia. Por isso, é fundamental ter em mente que a qualidade vem em primeiro lugar
 

Leia tudo sobre: inovaçãoPraveen GuptaIndia

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG