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Inovação com a Economia Comportamental

Combinação entre economia e psicologia pode ajudar a reduzir, nos EUA, despesas anuais que chegam a US$ 290 bi na área de saúde

Alexis Gonçalves, especial para o iG |

Divulgação
Alexis Gonçalves
Recentemente, participei de um simpósio chamado “A Economia Comportamental no Setor de Saúde” realizado no Harvard Club de Nova York. O evento foi liderado pelo economista comportamental Dan Ariely, autor do best-seller “Predictably Irrational” (Previsivelmente Irracional), e reuniu uma série de especialistas do setor de saúde.

 A economia comportamental, vale explicar, é uma combinação entre economia e psicologia.

 Decisões irracionais de pacientes custam à indústria de cuidados em saúde bilhões de dólares a cada ano. Seria bom se todos nós agíssemos racionalmente em nosso próprio interesse seguindo as ordens do médico – mas nós não fazemos assim.

A prova disso é o fato de que o descumprimento das receitas de tratamento médico é um dos motivos pelos quais o sistema de saúde nos Estados Unidos é tão caro. O quão grande é esse problema? Durante o simpósio, foi compartilhado um estudo da National Community Pharmacists Association, afirmando que três em cada quatro americanos não tomam seus medicamentos como indicado. Os números são alarmantes: 49% se esquecem de tomá-los, 31% não preenchem as suas receitas e 29% param de tomar os comprimidos antes de esgotar o medicamento! De acordo com o Instituto de Saúde de Nova Inglaterra, isto custa aos EUA US$ 290 bilhões ao ano (mais de 11% da fatura total de gastos com cuidados de saúde, que chega a US$ 2,5 trilhões).

 Através do reconhecimento do impacto da economia comportamental e de sua utilização para gerar abordagens inovadoras, podemos melhorar a saúde e reduzir os custos. Imagine o potencial de poupança, se pudéssemos mudar estes comportamentos, mesmo que só um pouco. Uma série de métodos de economia comportamental – como lembretes, pré-compromisso e a pressão social – poderiam ser usadas para moderar o comportamento dos pacientes.

 Durante o simpósio, um painel de especialistas discutiu como a economia comportamental pode explicar os processos de tomada de decisão irracional, ajudar os indivíduos a tomar melhores decisões e colaborar para remodelar o cenário da saúde.

 Já se sabe que os princípios da economia comportamental estão levando as empresas de seguro de saúde mais inovadoras a aumentar a utilização da rede e das práticas médicas, bem como testar novas estratégias para que pacientes cumpram seus protocolos de tratamento. Os princípios da economia comportamental como “âncora” (anchoring) e “confiança em padrões” (reliance on defaults) oferecem uma promessa real na área de gestão e cuidado da saúde.

 Claramente, a economia comportamental é um tema quente. Mas a sua aplicação aos cuidados da saúde é muito recente e várias oportunidades ainda não foram devidamente exploradas.

Acredito que há uma grande oportunidade para usar a economia comportamental na criação de novas ferramentas que ajudem as organizações de saúde na gestão do comportamento dos consumidores e que também estimulem os pacientes a melhorarem sua conduta. Mesmo pequenas mudanças nos comportamentos da população paciente teriam um impacto dramático sobre os custos totais do setor de saúde.

 

Alexis Gonçalves é membro do Conselho Diretivo da American Society for Quality e gestor sênior da Pfizer em Nova York, onde lidera a implantação do programa de Inovação na área de Tecnologia em Negócios. Alexis também é autor dos livros "Innovation Hardwired” e “Herramientas Avanzadas de Innovación”.
 

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