SÃO PAULO - As cinco fábricas da Suzano Energia Renovável estarão localizadas no nordeste, onde as terras para plantação das florestas e construção das unidades são fartas. "Também tem uma questão de logística, pois nosso foco é a Europa", explicou André Dorf, que antes era diretor de Relações com Investidores da Suzano, e agora passa a comandar a nova empresa.

Segundo ele, o mercado brasileiro não está no plano de negócios da companhia, por já apresentar uma matriz energética relativamente limpa, o que cria uma concorrência da geração de energia das hidrelétricas e dos outros combustíveis renováveis, como o etanol. "Na Europa há um forte potencial, pois eles estão fazendo uma revisão da matriz. Seremos parceiros das grandes geradoras de energia europeias", afirmou Dorf. A Suzano acredita que, entre as vantagens comparativas da nova empresa para conquistar o velho continente, está a maior produtividade. "Hoje poucas empresas se dedicam à madeira para energia. O negócio, na maioria das vezes, é secundário", explicou Neto. Além da integração da indústria com as plantações - voltadas especificamente para o fim energético -, a empresa vê como vantagem a redução do ciclo da floresta. Uma vez que a fibra não é o centro do negócio da nova companhia, não há a necessidade de levar até sete anos para cortar a árvore: a colheita para a produção de pellets de madeira (partículas desidratadas e prensadas de madeira moída) ocorre depois de três anos da plantação. "Isso nos permite entrar no mercado de forma rápida", disse Dorf. Uma consequência importante da boa produtividade é a utilização menor de terras para esse fim. A Suzano estima que a cada 1 milhão de toneladas produzidas, são necessários 30 mil hectares de árvores plantadas. As cinco localidades das plantas da Suzano Energia Renovável já foram identificadas pela empresa e já foram prospectadas as áreas florestais. O executivos garantem que, até o final do ano, a localização das fábricas e das florestas já será conhecida do mercado. (Vanessa Dezem | Valor)

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