Regras não são consideradas empecilho pela companhia. "São cartas do jogo", disse vice-presidente

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A Statoil confirmou na terça-feira sua intenção de disputar uma parte da área de Libra - o megacampo que está sendo perfurado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e será oferecido no primeiro leilão de áreas do pré-sal já sob o novo modelo de partilha, em 2011. Técnicos da empresa apresentaram hoje detalhes da companhia e de suas atividades no Brasil e confirmaram o interesse em aumentar sua participação em algumas áreas, em especial as localizadas na camada pré-sal.

Segundo o vice-presidente da companhia no País, André Leite, "é claro que o novo modelo de contrato terá de ser estudado, mas há predisposição em participar da disputa". A participação da Petrobras como operadora única e a exigência de conteúdo nacional não é considerada pelos executivos da companhia como um empecilho. "Não são regras inibidoras. São cartas do jogo", disse Leite.

Especificamente sobre as exigências de conteúdo local, para a Statoil é uma oportunidade para as operadoras internacionais e não um problema. Apesar de ainda existirem barreiras a serem superadas, o técnico da companhia, Mauro Lourenço de Andrade, acredita que é uma oportunidade para a empresa encontrar novos fornecedores e ampliar seu mercado.

"Há certa complexidade no sistema fiscal brasileiro. A carga tributária varia muito de acordo com o local onde está instalado o fornecedor e com o tipo de fornecedor. Isso tem que ser superado ainda", disse. O sistema tributário brasileiro, segundo ele, foi pensado para o setor manufatureiro e nem sempre é adequado ao setor de óleo e gás, que enfrenta dificuldades para compensar créditos de alguns tributos pagos em etapas diferentes da cadeia. Entretanto, Andrade disse que também houve avanços nos últimos anos para o setor, como a permissão de exportar o petróleo produzido diretamente do FPSO (Unidade Flutuante de Produção, Estocagem e Transferência).

Antes, o produtor tinha de trazer o petróleo até um porto para fazer os trâmites alfandegários. Ontem, o ministro de Petróleo e Energia da Noruega, Terje Riis, afirmou que o Brasil poderá superar o Golfo do México como maior mercado de petróleo e gás para empresas norueguesas no exterior. Atualmente, o país ocupa a quarta posição e "caminha rapidamente para galgar o pódio".

Para ele, a semelhança das atividades exploratórias dos dois países - em águas ultraprofundas - é que torna a parceria promissora. Não tão enfático quanto os técnicos da Statoil, que elogiaram a política de conteúdo local do Brasil, o ministro disse que não caberia a ele discutir tais regras, mas que acredita ser mais interessante a combinação de conteúdo local com "metas de competitividade". A Statoil é uma das maiores empresas norueguesas presentes ao Rio Oil & Gas 2010.

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