Sob Graça Foster, Petrobras terá viés mais técnico que político', dizem analistas

Nova presidente da Petrobras deve favorecer o cumprimento das metas de crescimento do governo, avaliam analistas

BBC Brasil | 09/02/2012 08:20

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Graça Foster, como é conhecida, será oficializada nesta quinta-feira como nova presidente da Petrobras, sucedendo José Sérgio Gabrielli, após reunião do conselho de administração da empresa. Funcionária de carreira da estatal, Foster tem 58 anos e está na Petrobras há 32, tendo começado a trabalhar lá como estagiária, em 1978. Ela será a primeira mulher a presidir a estatal.

Saiba quem é Maria das Graças Foster, que deve comandar a Petrobras

A executiva vinha exercendo o papel de diretora de Gás e Energia da Petrobras desde 2007 e chega ao posto máximo da empresa indicada pela presidente Dilma Rousseff, com quem trabalhou entre 2003 e 2005 no Ministério das Minas e Energia.

Diálogo com Dilma

Assim como Dilma, Foster é conhecida pela eficiência técnica e pela dureza no trato profissional.
"Elas se conheceram, se identificaram e se deram bem. São ambas trabalhadoras, ambas mineiras, com essa dedicação à coisa publica", diz o geólogo John Forman, ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

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Ele descreve Foster como uma pessoa que sabe reconhecer o valor das pessoas, mas não gosta de coisas mal-feitas. "Ela não é do tipo que passa a mão na cabeça. Ela cobra, e cobra duro. Nisso também é parecida com a Dilma", compara.

Para o consultor Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a gestão de Foster deve trazer bons resultados para acionistas por dois motivos: o fato de ser uma pessoa mais técnica e uma funcionária de carreira da Petrobras; e o fato de ter confiança e proximidade com a presidente.

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"Acho que facilita o diálogo. A confiança que a Dilma tem nela facilita que leve pleitos à presidente e que ela tenha mais boa vontade de entender."

Desafios

À frente da Petrobras, Foster terá o desafio de cumprir o ambicioso plano de negócios da empresa, que até 2015 prevê o investimento de US$ 225 bilhões, e levar adiante a exploração do pré-sal. "O programa do pré-sal é um programa pesadíssimo. É um desafio que envolve a necessidade de recursos humanos, financeiros e tecnológicos", aponta Forman.

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Segundo o consultor Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), outros desafios enfrentados pela nova presidente serão a escassez de mão de obra e de bens e serviços oferecidos no Brasil, diante da política que exige o uso de conteúdo local para impulsionar o desenvolvimento da indústria nacional.

A política de conter o aumento de preços da gasolina e do diesel, adotada pelo governo para evitar impacto inflacionário, também afeta a empresa, diz Pires. Com menos dinheiro em caixa, a empresa tem menor capacidade de investimento.

"O desafio (de Foster) é o de entregar o prometido, coisa que não tem sido feita", diz Pires. "Como a produção de petróleo está atrelada à disponibilidade de bens e serviços na indústria nacional, a produção efetiva da empresa está sendo menor do que a meta projetada há três anos."

Menos política

O anúncio do nome de Foster para a presidência, no último dia 23, foi acompanhado de alta das ações da Petrobras, indicando aprovação do mercado. O destaque dado ao perfil "técnico" da engenheira química tem como contraponto o envolvimento político de Gabrielli, que deixa do cargo para assumir uma secretaria no governo do padrinho político Jaques Wagner (PT-BA), da Bahia.

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"O grande desafio (de Foster) será equilibrar decisões técnicas com decisões políticas", considera Pires. "Uma marca da gestão do Gabrielli é que as decisões tomadas sempre foram mais políticas do que técnicas. Isso causou uma queda no valor das ações de 2010 para cá", avalia.

John Forman destaca o fato de Foster ser uma funcionária de carreira da casa, um caso raro na empresa. "A grande maioria dos presidentes da Petrobras vêm de fora", aponta, citando como exemplo o Gabrielli, que entrou na Petrobras como diretor financeiro, em 2003, e foi nomeado presidente em 2005.

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"Ele tem uma visão mais econômica das coisas. Já a Graça tem uma visão mais técnica e certamente conhece a empresa muito bem por dentro. Acho que ela vai buscar valorizar a empresa e trabalhar duro para que as metas do governo sejam alcançadas", diz Forman.

Pires lembra que a indicação do presidente da Petrobras pelo presidente da República é uma tradição no Brasil. Assim, a troca de Gabrielli, indicado por Lula, por Foster, escolhida por Dilma, seria mais um passo no processo de a atual presidente imprimir sua marca a seu governo.

Da origem humilde à presidência da Petrobras

Maria das Graças Silva Foster, mais conhecida como Graça Foster, nasceu como parte de uma família pobre em Caratinga, Minas Gerais. Logo se mudou para o Rio. Dos dois aos 12 anos, viveu com a família no Morro do Adeus, que se adensou e hoje faz parte do Complexo do Alemão.

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Passou por dificuldades na infância. Catava lata e papel reciclado para ajudar em casa. Era ela quem comprava suas canetas e borrachas para ir para a escola. "Sempre trabalhei para ajudar no sustento da minha mãe e dos meus filhos e para pagar meus estudos. Garra para mim é tudo. Nunca tive medo de trabalho", disse ao jornal O Globo no ano passado.

Os estudos a levaram à Universidade Federal Fluminense (UFF), onde se formou engenharia química em 1978. Entrou como estagiária na Petrobras no mesmo ano.  Enquanto galgava posições na empresa Petrobras, ganhou a reputação de ser boa gestora e dura no trato profissional. Foster é casada e tem dois filhos de 36 e 24 anos, mas já afirmou que "morreria" pela Petrobras.

"Minha vida particular é que se adapta à Petrobras, não o contrário", disse em entrevista à Prata da Casa, publicação da UFF. "Eles (sua família) entendem isso perfeitamente. (...) Eles me incentivam, me apoiam para que eu tenha essa dedicação toda à Petrobras".  Aos 58 anos, sendo 32 de carreira na empresa, Foster é a primeira mulher a assumir o comando da petrolífera.
 

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