Curitiba, Natal, Porto Alegre, Fortaleza e Belo Horizonte têm problemas com início ou conclusão das obras ou projeto executivo

No próximo balanço de acompanhamento das obras nos estádios da Copa do mundo de 2014, que será divulgado em maio pelo Ministério do Esporte, o governo federal terá de reconhecer novos atrasos em pelo menos cinco cidades-sede. Levantamento do iG com base nos dados atuais de cada estádio e no último balanço do governo federal, de janeiro deste ano, mostram alterações nos prazos estabelecidos.

Em Curitiba e Natal, por exemplo, as obras já deveriam ter sido iniciadas neste mês, segundo o último balanço, mas nenhuma máquina sequer entrou nos estádios para as ampliações previstas. Apenas no dia 15 deste mês foi assinada a ordem de serviços para dar início às obras de reconstrução da Arena das Dunas, na capital do Rio Grande do Norte.



Em Porto Alegre e Fortaleza, os responsáveis pelo acompanhamento das obras assumiram ao iG que não conseguirão cumprir o prazo para entrega final das obras, ainda que elas tenham começado na data certa. No caso do Rio Grande do Sul, o vice-presidente de serviços do Internacional, Luciano Davi, diz que o Beira-Rio deverá ficar pronto apenas em junho de 2013, enquanto que a previsão do governo era dezembro de 2012.

No caso da capital cearense, a assessoria de comunicação da secretaria especial da Copa afirma, em nota enviada ao iG , que na data prevista, de dezembro de 2012, apenas 95% da reforma do estádio Castelão estará concluída e não dá previsão de término total da reforma.

No caso de Belo Horizonte, o atraso assumido não está nas obras, mas na entrega do projeto executivo. Segundo o balanço de janeiro, ele deveria ser entregue em maio, mas agora a Secretaria Extraordinária de Assuntos da Copa do governo de Minas Gerais já diz que a sua conclusão será feita apenas em junho. (veja a seguir o quadro com a situação de cada estádio)

Cidades-sede Início das obras previsto pelo ME Data de início das obras atual Conclusão das obras pelo ME  Previsão atual para conclusão
Belo Horizonte (MG) jan/10  jan/10 dez/12  dez/12
Brasília (DF)  jul/10  jul/10 dez/12 dez/12
Cuiabá (MT) abr/10 abr/10 dez/12 dez/12
Curitiba (PR) abr/11 jun/11 dez/12 dez/12
Fortaleza (CE)  jan/11  jan/11 dez/12 sem previsão*
Manaus (AM) mar/10 mar/10 jun/13 jun/13
Natal (RN) abr/11 próximos 90 dias out/13 sem previsão
Porto Alegre (RS) jul/11 jul/11 dez/12 jun/13
 Recife (PE) ago/10 ago/10 dez/12 dez/12
 Rio de Janeiro (RJ) ago/10 ago/10 dez/12 dez/12
 Salvador (BA) jun/10 jun/10 dez/12 dez/12
 São Paulo (SP) - sem previsão - sem previsão

Fonte: Ministtério dos Esportes e comitês organizadores

*Conclusão de 95% da obra prevista para dezembro de 2012


 Neste novo balanço sobre a construção dos estádios, o Ministério do Esporte deverá incluir também o Itaquerão, de São Paulo, que não fez parte do primeiro levantamento. Apesar das incertezas quanto à obra, o governo deverá fixar prazos também para esse estádio, que é favorito para abrigar a sede dos jogos.

Obras nos estádios custarão R$ 5 bi


Ao todo, serão investidos mais de R$ 5 bilhões nos estádios seus arredores, como vias de acesso e estacionamentos, segundo previsão do Ministério do Esporte. Pelo menos quatro estádios brasileiros têm de estar totalmente prontos em junho de 2013, quando deverá ocorrer a Copa das Confederações, que antecede a Copa do Mundo.

Mais da metade desses recursos, R$ 2,9 bilhões, vem do governo federal por meio de financiamentos do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES). Mas até agora, apenas R$ 6 milhões foram liberados pelo banco para a contratação do projeto executivo da Arena Amazônia, em Manaus. Outros cinco projetos já estão aptos para receber, mas ainda têm pendências contratuais que travam a liberação.

O restante dos R$ 2,9 bilhões não teria sido liberado porque pelo menos quatro Estados e o Distrito Federal não enviaram carta-consulta ao BNDES, a primeira etapa para aprovação do crédito. O banco também pede apresentação do projeto executivo para liberar parcelas superiores a 20% do valor financiado.

Obras andam sem projetos fin alizados

Em algumas cidades, como Fortaleza, Salvador e o Rio de Janeiro, os estádios estão em obras, mas não apresentam projetos executivos finalizados. O projeto executivo conta com plano de gastos completo, além de todas as plantas que orientam engenheiros. Para a licitação da obra, só é requerido o projeto básico com um menor número de plantas e projeções.


Quando o projeto executivo não fica pronto antes do início da obra, há mais riscos de superfaturamento e de erros, segundo o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia (Sinaeco), João Alberto Viol, que esteve presente em audiência pública na Câmara dos Deputados na semana passada para discutir as obras para a Copa.

“Não há garantias de boas contratações e controle sobre a obra só com projeto básico”, diz Viol. Ainda de acordo com ele, os estádios sem projetos concluídos ficam mais vulneráveis a imprevistos e riscos que não poderiam ser assumidos neste momento, a pouco mais de três anos do mundial.

“O cronograma atual não tem ‘gordura’, ou seja, espaço para operar com imprevistos. Se vierem chuvas e greves, não há tempo de manobra. Então a hora agora é de trabalhar com projetos reais e um plano de emergência”, afirma.

A Arena do Pantanal, em Cuiabá (MT) está superando um desses imprevistos: a chuva. De acordo com o diretor de infraestrutura da Agência Executora da Copa de Cuiabá, Carlos Brito, o volume de chuvas foi maior do que o esperado neste ano, o que aumentou as despesas.

“ Em função das chuvas, o volume de investimentos extrapolou os R$ 342 milhões previstos para serem gastos no estádio até agora. Houve aditivos em drenagens e fundação por causa destes transtornos”, conta. Mesmo com os problemas, Cuiabá acelera para manter a entrega do estádio em dezembro de 2012 porque quer sediar a Copa das Confederações. Este é outro torneio da FIFA que ocorre em 2013 com a participação dos campeões de cada continente, além do campeão do mundo e o país anfitrião.

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