Levantamento feito pelo coordenador de Infraestrutura Econômica do Ipea, Carlos da Silva Campos Neto, mostra que, até agosto deste ano – último dado disponível no Ministério do Planejamento – a Infraero só investiu nos aeroportos brasileiros 17,5% do orçamento total previsto, de R$ 2,2 bilhões.
Se o ritmo de desembolsos continuar o mesmo até o fim do ano, Campos estima que a Infraero, empresa estatal responsável pela infraestrutura aeroportuária do Brasil, investirá apenas um quarto do volume total previsto. Em 2010, o percentual foi de 58% e, no ano anterior, de 42% (veja o gráfico abaixo).
Atraso na concessão de Guarulhos pode comprometer expansão da infraestrutura do setor para a Copa
“Ao longo do ano, praticamente nada avançou na linha dos investimentos em aeroportos”, diz Campos, que foi co-autor de uma polêmica Nota Técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em abril, dizendo que os investimentos no setor não ficarão prontos para a Copa de 2014. De lá pra cá pouco mudou, avalia. “A situação do investimento continua precária, alarmante.”
A Infraero executou de 2003 a 2010 um orçamento de R$ 3,9 bilhões, incluídos no total de R$ 6,7 bilhões de todo setor aéreo. Isso representa um investimento médio anual de R$ 437 milhões, diz. De 2011 a 2014, a Infraero planeja investir R$ 5,2 bilhões.
Segundo Campos, “os investimentos programados são insuficientes para fazer face ao crescimento da demanda e existe grande possibilidade de serem apenas parcialmente executados, como ocorreu nos últimos anos”.
De 2003 a 2011 o número de aviões que passam pelos aeroportos brasileiros subiu 58% segundo o Ipea. Nesse mesmo período, o número de passageiros mais do que dobrou. O salto foi de 71,22 milhões em 2003 para o número total previsto em 172 milhões neste ano.
Novas metas da Infraero
A Secretaria de Aviação Civil (SAC), criada neste ano para coordenar as ações entre os diversos participantes do setor aéreo para desenvolver melhor o setor está reformulando o conselho de administração da Infraero, para dar a esse grupo uma função mais ativa, para estipular metas e acompanhar resultados.
A reestruturação da Infraero passa pela contratação de parceiros especializados e governança, contabilidade, gestão de desempenho e planejamento estratégico, entre outros. Além disso, o projeto inclui a criação de uma diretoria de empreendimentos, para acompanhar as obras.
Concessões tiveram data prorrogada
Outro atraso que pode comprometer a expansão da infraestrutura do setor para a Copa são as concessões que serão feitas nos aeroportos de Brasília, Viracopos e Guarulhos. Previstos na segunda edição no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2) para ocorrer ainda este ano, os leilões ficarão para janeiro.
“Sendo 150 dias entre o leilão até o início das obras, podemos esperá-las para o segundo semestre apenas o que torna os prazos bastante preocupantes”, diz Campos. Ele destaca, ainda, que a necessidade de sociedade com a Infraero – que teria poder de veto na gestão das concessões – pode complicar o interesse pelos editais e os desembolsos em si.
A grande vantagem para os usuários com a concessão dos terminais deverá ser, além da própria expansão da infraestrutura, a criação de indicadores de qualidade e produtividade para os concessionários, sob controle da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), avalia Campos.
Um lado negativo para o usuário deverá ser a criação de uma nova tarifa de conexão de R$ 7 por passageiro nos aeroportos sob concessão. Outro lado negativo são as evidências de que a Infraero tenta renegociar elevados ajustes de aluguéis para lojas nos aeroportos, aponta campos. “Isso tudo vai criar impactos aos passageiros”.
Porém, segundo documento apresentado pela SAC ao Tribunal de Contas da União (TCU), que cobrou melhor coordenação do setor ao executivo, não haverá demissões na Infraero no processo de concessões. Eles poderão escolher entre permanecer na estatal ou migrar para a concessionária.
Valor executado pela Infraero nos últimos 8 anos foi 37% do previsto anualmente (R$ milhões)
O Brasil precisa tanto dos aeroportos e me aparece essa notícia que a infraero só atingiu 25% de orçamento para a reforma dos aeroportos. A infraero só pode estar brincando de construção nós estamos super atrasados em relação a copa do mundo de 2014 e a infraero não funciona. LAMENTÁVEL SÓ POSSO DIZER ISSO.
Responder comentário | Denunciar comentárioMuita propaganda do governo e péssima gestão.
Responder comentário | Denunciar comentárioO Brasil já passou da hora de privatizar aeroportos. Esse monopólio estatal só esta atrasando o desenvolvimento da industria do transporte aéreo no país. O governo deveria delegar a iniciativa privada investimentos na construção de novos aeroportos. Possibilitar a exploração também aos estados e municípios, sem privilégio de monopólio. Acreditamos que dessa forma estaríamos muito mais bem servidos desses serviços tão essenciais ao desenvolvimento econômico da nação. Temos regiões estratégicas, mesmo que muitas vezes não sejam grandes polos geradores de passageiros, mas de grande importância para carga aérea e até centros de formação e capacitação de mão de obra aeronáutica .Esperamos que nossos deputados, senadores se esforcem no sentido criar soluções acurto prazo para tal problemática.
Responder comentário | Denunciar comentárioPrivatiza! Privatiza! Privatiza!!
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