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Distribuidora quer repetir sucesso alcançado no Dona Marta, onde arrecadação passou de menos de R$ 1 mil para R$ 60 mil por mês

A Light espera entrar com a operação de regularização do fornecimento nas comunidades do Chapéu Mangueira e Babilônia, no Leme, em julho, para até setembro concluir a primeira parte da legalização das instalações na Cidade de Deus, na Zona Oeste. A afirmação é do presidente da companhia, Jerson Kelman, para quem o objetivo é repetir o sucesso obtido no morro Dona Marta, em Botafogo, onde o índice de adimplência do pagamento das contas de luz está em 98% desde que foi instalada a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) e a consequente regularização do fornecimento de energia.

No total, a arrecadação da Light no Dona Marta passou de menos de R$ 1 mil mensais para cerca de R$ 60 mil, obtidos com o pagamento de contas de cerca de 1.500 famílias que moram no local. Kelman garantiu que a empresa vai regularizar paulatinamente o serviços nas favelas que receberem as UPPs. "Nossa intenção é entrar em todas", resumiu Kelman, que participou de seminário de energia organizado pela Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), no Rio de Janeiro.

Para ajudar na redução das perdas de energia da companhia, que na baixa tensão atingem 44%, Kelman destacou a adoção dos medidores eletrônicos. Até agosto serão 46 mil, com a adição de 10 mil mensalmente até o fim do ano. Com os medidores eletrônicos o furto de energia, problema recorrente na área de concessão da companhia, cai praticamente a zero, segundo o executivo. Kelman lembrou que há apenas um tipo de medidor eletrônico homologado pelo Imetro e ponderou que o ritmo de entrega de 10 mil unidades por mês é o máximo que a fabricante consegue atender.

"Estou esperançoso de que haja ampliação da capacidade da fábrica existente e que haja competição. Que outros aparelhos que estão em processo de homologação no Imetro sejam homologados, porque aí aumenta a competição, e talvez baixe o preço, e aumenta o volume de oferta e nós vamos poder botar o pé no acelerador", frisou Kelman, para quem não há demora na homologação. "Acredito que o Imetro deve se preocupar em fazer um trabalho cuidadoso, e é isso que ele está fazendo", acrescentou.

O presidente da distribuidora fluminense disse ainda que a recente aquisição da Axxion contribuirá para o desenvolvimento de tecnologias de combate ao furto, já que a meta acertada com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é de reduzir as perdas na baixa tensão para 31% até 2013. Kelman ressaltou que a Axxion é o´"veículo natural" para o desenvolvimento de testes de rotas de combate ao furto de energia, mas ponderou que no momento não há expectativa de a empresa fabricar os medidores eletrônicos que serão usados por Light e Cemig. "Pode até acontecer no futuro. Hoje, o principal problema é ter medidores. Estamos entrando nesse negócio porque achamos que muito pode ser feito até para melhorar a competição", afirmou. (Rafael Rosas | Valor)

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