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"EUA deixou setor na mão das petroleiras; Brasil não

Regras brasileiras exigem dois tipos de acionamento para equipamento que fecha poço, diz secretário do MME em entrevista ao iG

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro |

O governo brasileiro não vai tomar nenhuma medida "imediatista" no setor de petróleo por causa do vazamento que já dura quase três meses no Golfo do México. Em entrevista ao iG, o secretário de Petróleo, Gás e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Marco Antônio Martins Almeida, afirmou que a nossa regulamentação é mais rígida do que a norte-americana - que, segundo ele, permite que o setor fique "na mão das empresas".

"Nós temos legislação mais rigorosa que a deles. Isso elimina a chance de ocorrer acidente aqui? De jeito algum. Um acidente pode acontecer por vários motivos. Mas precisamos de estudo profundo para saber o que aconteceria aqui se ocorresse o mesmo acidente e quais seriam suas consequencias", afirma Almeida.

As regras brasileiras exigem que a empresa tenha dois tipos de acionamento do BOP (blow out preventer), equipamento que fecha a tubulação em caso de explosão. "Aqui podemos fazer o acionamento tanto hidráulico quanto remoto. Lá eles não têm a exigência do acionamento remoto e a sonda que estava lá não estava preparada para fazer acionamento remoto. Eles poderiam ter feito acionamento remoto, mas como eles não têm essa exigência, não puderam fazer. Não sabemos se isso resolveria o problema, mas o fato é que temos uma regulamentação mais severa".

Indagado sobre o fato de as empresas estarem perfurando cada vez mais fundo - e se isso pode representar mais riscos de acidentes como o da BP - Almeida afirmou que o tamanho do poço "não faz a menor diferença".

"A única recomendação que estamos fazendo por enquanto é entender o acidente, estudá-lo, aprender com ele e ver se a gente precisa ou não mexer nas nossas regras. Isso vale para a nossa secretaria, vale para a ANP, vale para o (ministério de) Meio Ambiente, vale para todos. Não se espera tomar nenhuma medida imediatista que pode não ter efeito nenhum", afirmou Marco Antônio, em entrevista concedida na noite da última sexta-feira (9).

Segundo ele, o governo não vai impedir o processo de compra dos ativos da Devon no Brasil pela BP, já que a companhia já atua no País em vários outros blocos exploratórios. Mas, segundo fontes, a Agência nacional do Petróleo estaria retardando a aprovação da operação. Procurada, a ANP não deu informações sobre o tema até a publicação desta matéria.

"A questão é saber se eles (BP) terá bala na agulha para comprar os ativos da Devon", afirma Almeida. A BP está gastando bilhões de dólares para tentar conter o vazamento e teria recebido oferta de compra da ExxonMobil, a maior empresa de petróleo de capital aberto do mundo.

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