EPE vê antecipação no início de geração em Santo Antônio e Jirau

RIO DE JANEIRO, 29 de setembro (Reuters) - As obras das usinas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, estão bem adiantadas, segundo o presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim, que prevê uma antecipação em um ano no início da geração de energia das duas hidrelétricas.

As usinas, que fazem parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), tinham uma previsão inicial de operação para o fim de 2012.

Santo Antônio foi licitada em 2007 e terá 3.150 MWs de capacidade, ao passo que Jirau foi licitada em 2008 e pode gerar até 3.300 MWs de energia.

"O que está acontecendo é impressionante. Vai antecipar em um ano. As obras estão indo muito rápido. Estive lá duas vezes e cada vez está completamente diferente", disse Tolmasquim a jornalistas antes da abertura do Enase (Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico).

"Essa é uma questão do novo modelo que deu certo. No passado, você fazia a obra e recebia uma taxa de remuneração pelo aquilo que gastasse. A tarifa ia a preços estratosféricos", afirmou.

"Agora há um incentivo. Se a empresa for eficiente, a energia dele é vendida no mercado livre. Há com isso uma quebra de paradigma na engenharia também", adicionou o presidente da EPE.

Segundo ele, os procedimentos e técnicas de construção de usinas têm evoluído com o modelo, o que o presidente da EPE classificou como uma "revolução no setor".

"Obras que pareciam difíceis e as pessoas não tinham ideia de que poderiam ser feitas, usinas tão grandes em tão pouco tempo se tornaram viáveis. Eles são obrigados a usar a criatividade porque o fluxo de caixa das empresas melhora à medida que o projeto é antecipado."

LEILÃO

Em dezembro, a Aneel vai realizar um novo leilão de hidrelétricas para entrarem em operação a partir de 2015.

Das dez usinas programadas para a licitação, apenas cinco devem ser leiloadas. No entanto, de acordo com o presidente da EPE, a usina âncora da concorrência, Teles Pires, no Estado do Mato Grosso, está bem encaminhada.

O estudo de impacto ambiental da hidrelétrica foi aprovado pelo Ibama e, nos próximos dias, serão realizadas as audiências públicas necessárias para a viabilização da licença ambiental da usina.

"Estou muito otimista porque a principal usina, que tem capacidade de 1.800 MWs, vai conseguir ser posta no leilão. Ela entrando, a gente fica muito tranquilo mesmo que alguma outra não entre. Ela sozinha garante o leilão", avaliou Tolmasquim.

O presidente da EPE afirmou que estão praticamente garantidas no leilão uma hidrelétrica em Santa Catarina (São Roque), duas no rio Parnaíba (Ribeiro Gonçalves e Castelhano) e uma em Mato Grosso (Sinop).

"Nosso objetivo é centrar naquelas que vão garantir o abastecimento. Não adianta ficar lutando pelo número maior de usinas. O que vale é o abastecimento. Seria um grande problema não sair Teles Pires", analisou ele.

Tolmasquim declarou que as usinas que não forem licitadas este ano, como São Manoel e algumas no Rio Parnaíba, estão sendo trabalhadas para serem licitadas no começo de 2011

(Por Rodrigo Viga Gaier)

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