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Energia elétrica cara afugenta investidor do Brasil

Empresas mais afetadas são as maiores consumidoras; energia chega a representar 40% do custo de uma barra de alumínio

Alexa Salomão, iG São Paulo |

Getty Images
Linhas de transmissão de Itaipu: custos de energia encarecem cadeia de produção industrial
A conta de luz do Brasil é uma das mais caras do mundo. Para ter energia elétrica, o brasileiro paga cerca de 16% mais que o suíço e 22% mais que o espanhol. Se comparado a certos locais dos Estados Unidos e da França, a conta chega a ser o dobro.

Em relação ao Oriente Médio, onde fontes fósseis são muito baratas, a diferença é assustadora: a eletricidade brasileira é quase dez vezes mais cara. Detalhe: os valores usados para essas comparações não contabilizam os tributos que recaem sobre a conta (PIS, Cofins e ICMS). Se incluídos, as diferenças seriam ainda maiores.

Para as indústrias, o megawatt-hora, unidade de venda de energia, custa hoje cerca de R$ 230 – valor que, segundo as empresas, encarece os produtos fabricados no Brasil frente aos concorrentes internacionais que pagam bem menos pela energia. “O custo da energia elétrica no Brasil tem subido tanto que já está inviabilizando a permanência de algumas indústrias no país”, diz Ricardo Lima, presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia Elétrica e de Consumidores Livres (Abrace). “Precisamos de uma política industrial que leve em consideração o preço da energia.”

Efeito dominó

As empresas mais afetadas são aquelas que dependem de grandes quantidades de energia elétrica – as chamadas eletrointensivas. Como elas estão na base da cadeia de produção, o aumento de custo com a eletricidade é transferido para vários outros segmentos e espalha-se pela da economia.

Exemplo: a energia representa cerca de 40% dos gastos de produção de uma barra de alumínio, matéria prima para latinhas de refrigerante, esquadrias que emolduram janelas e automóveis. Atualmente, cerca de 7% do preço de um automóvel corresponde ao custo da energia gasta na sua fabricação.

Migração

Para tentar contornar os aumentos, empresas ligadas à base da cadeia de produção buscam oportunidades em outros países. A americana Alcoa já manifestou várias vezes o interesse em ampliar a produção de alumínio no Norte do Brasil e ficou à espera de garantias de que teria energia elétrica para seus projetos. Com a construção de usinas como Santo Antonio, Jirau e Belo Monte, este seria o momento de investir. Mas recentemente a matriz priorizou a criação de complexo de produção, orçado em US$ 10,8 bilhões, na Arábia Saudita, onde o custo de energia é um dos mais baixos do mundo.

No início de fevereiro, Carlos Ermírio de Moraes, presidente da holding que controla o grupo Votorantim, fez questão de ir a Brasília para apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva os próximos investimentos. Aproveitou também para contar que a Votorantim passaria a explorar alumínio de Trinidad e Tobago – e deixou claro na ocasião que o preço da energia fora definitivo na escolha do local.

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