A usina hidrelétrica de Belo Monte é uma obra polêmica que, por motivos diferentes, cria dúvidas e inquietações em setores da sociedade que variam do alto empresariado a comunidades indígenas

A usina hidrelétrica de Belo Monte é uma obra polêmica que, por motivos diferentes, cria dúvidas e inquietações em setores da sociedade que variam do alto empresariado a comunidades indígenas. Estudada há décadas, a obra sempre foi objeto de críticas de organizações não-governamentais (ONGs) ambientalistas e comunidades indígenas do Xingu (PA), que temem os efeitos da barragem na região. Entre os empresários, os temores referem-se, principalmente, aos custos da obra. Apesar dos cálculos oficiais darem conta que a usina de 11,2 mil megawatts (MW) demandará investimentos de R$ 19 bilhões, no setor privado há quem acredita que essa cifra pode chegar aos R$ 30 bilhões. Com todas essas dúvidas, o leilão da usina, realizado em abril do ano passado, foi cercado de polêmicas. Para começar, às vésperas da licitação, duas das maiores empreiteiras do País, a Odebrecht e a Camargo Corrêa, anunciaram sua desistência da disputa, alegando que faltavam condições econômicas e financeiras. Para garantir que houvesse alguma competição, o governo, por meio da Chesf, liderou a formação de um segundo consórcio - para concorrer com o grupo que era liderado pela Andrade Gutierrez. Foi justamente esse consórcio encabeçado pela Chesf, criado quase na última hora, que venceu a licitação. No dia do leilão, 20 de abril, mais polêmicas. Em protesto contra a obra, militantes do Greenpeace despejaram um caminhão de esterco na frente da sede da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em Brasília, onde foi realizada a licitação. Houve ainda contestações na Justiça. Em meio à guerra de liminares e de ações nos tribunais para derrubá-las, a Aneel conseguiu realizar o leilão, mas o Ministério Público do Pará chegou a questionar se a agência não teria desrespeitado uma liminar concedida no mesmo dia pela Justiça de Altamira, suspendendo a licitação. Apesar de todos esses questionamentos, o leilão foi realizado e homologado pela Aneel. Nos bastidores, porém, ainda houve muita discussão para a formação da Sociedade de Propósito Específico (SPE) que vai operar a usina. Para viabilizar o projeto, os fundos de pensão das estatais tiveram de ser acionados para entrar no negócio. A participação deles na SPE deve ser confirmada hoje, quando deverão ser entregues à Aneel os documentos para formalizar a empresa que será criada para construir e operar a usina de Belo Monte.

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