Preço menor e abastecimento garantido são vantagens de gerar própria energia; custo da obra e desconhecimento do setor, os riscos

A participação de grandes consumidores em projetos de geração de energia traz benefícios para as empresas, mas também riscos. Se, por um lado, as indústrias ficam blindadas da variação de preços do insumo e de uma eventual escassez, elas terão de lidar com todas as particularidades de um negócio que vai além da sua atividade-fim. Esta é a constatação de três especialistas em energia consultados pelo iG .

“Em tese, ninguém deveria querer autoproduzir energia. Isso significa criar um novo negócio para administrar dentro da empresa”, afirma Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie). Segundo ele, a percepção dos empresários de que a energia vai ficar mais cara ou até escassa é que estimula os investimentos nesses projetos.

O maior risco do negócio é o custo da obra ficar acima do esperado. “O autoprodutor não compra energia, ele investe”, explica Cristiano Abijaode Amaral, vice-presidente da Associação Brasileira de Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape). No caso de Belo Monte, as incertezas sobre o custo da obra desestimularam grandes indústrias a entrar no projeto, afirmou Amaral.

Riscos envolvidos

Apesar dos aparentes benefícios no preço da energia, a autogeração pode ser um bom ou mau negócio, afirma o presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales. “Depende do projeto, dos custos envolvidos e do preço da energia”, explica.

A definição de uma cota de energia para os autoprodutores no processo de concessão de usinas hidrelétricas aumenta a atratividade desses projetos para os investidores, segundo os especialistas. O motivo está no preço: a energia paga por eles é mais cara do que a distribuída para consumidores residenciais.

No caso de Belo Monte, os autoprodutores comprarão 10% da energia por R$ 100 MWh (megawatt-hora), enquanto 70% da produção será vendida no mercado residencial por R$ 77,97 MWh. O restante será comercializado no mercado livre, que reúne consumidores industriais, com preços flutuantes, mas, em geral, acima do valor pago pelos autoprodutores.

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