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Distribuição de mercadorias é o maior entrave para os negócios no país, segundo pesquisa da Amcham com empresários

A ineficiência das estruturas portuárias e rodoviárias do país gera um prejuízo de US$ 5 bilhões ao ano para o setor de agronegócios brasileiros. O cálculo foi apresentado nesta quarta-feira pelo presidente da Bunge, Pedro Parente, em seminário sobre infraestrutura promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham). A empresa foi a quarta maior exportadora brasileira no ano passado, com um volume de US$ 5,3 bilhões de mercadorias embarcadas.

Os entraves para distribuir a produção não são exclusivos da Bunge. A logística de transporte de cargas foi considerada o maior obstáculo para o desenvolvimento de negócios no Brasil por 54% das empresas, segundo pesquisa do Ibope com 211 empresários encomendada pela Amcham e divulgada nesta quarta-feira. “As empresas enfrentam uma série de gargalos para escoar sua produção”, afirma Parente. Em seguida, os empresários citaram dificuldades com a tecnologia disponível (30%), energia (4%) e saneamento ambiental (3%).

Estes gargalos inibem a participação do setor privado em projetos de infraestrutura, afirmaram 86% dos empresários ouvidos no levantamento do Ibope. Nessas obras, o maior obstáculo é a falta de clareza da regulamentação dos projetos (de acordo com 66% dos consultados), seguido da instabilidade das agências reguladoras (43%).

“O Brasil vive um mar de normas”, afirmou Maurício Giardello, sócio da PricewaterhouseCoopers. Segundo ele, 3 milhões de atos normativos foram editados no Brasil desde a Constituição de 1988, 210 mil deles referentes a questões tributárias.

Oportunidades

Apesar de todos os gargalos, o setor de infraestrutura tem a chance de dar um salto nos próximos dez anos. Segundo Giardello, a realização da Copa 2014 e da Olimpíada 2016 no Brasil dá um prazo para a resolução de problemas. “Esses eventos deverão ser catalisadores de obras.” Além do calendário esportivo, o sócio da Price também cita os investimentos do pré-sal e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como oportunidades de melhorar a infraestrutura do país.

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