Nova linha de transmissão de energia no Norte traz alívio para o bolso de todos

Por Brasil Econômico - Nicola Pamplona |

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O início de operações da linha de transmissão Tucuruí-Macapá-Manaus conecta a capital do Amazonas ao sistema interligado nacional e traz economia a todos os brasileiros

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Reprodução Google Maps
Tucurui fica a 520 quilômetros de Belém do Pará

Após quatro anos de obras, entrou em operação esta semana a linha de transmissão Tucuruí-Macapá-Manaus, que encerra o isolamento energético das duas capitais e deve se traduzir em alívio para o bolso de todos os brasileiros. Com 1,8 mil quilômetros de extensão, o trecho da linha entre Tucuruí, no Pará, e Manaus, no Amazonas, foi energizada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) na madrugada de terça-feira. Já este ano, a economia com a redução do consumo de diesel por térmicas na região deverá ser de R$ 1,9 bilhão.

Conhecido no mercado como Linhão de Tucuruí, o sistema foi licitado em 2009 e as primeiras torres de transmissão instaladas em 2011. Seu início de operações, na última terça-feira, põe fim ao sistema isolado de Manaus, que era abastecido por usinas térmicas movidas a combustíveis fósseis e com custo subsidiado por todos os consumidores de energia brasileiros. “O primeiro e mais importante impacto é uma diminuição considerável dos gastos com térmicas”, comenta o professor Nivalde de Castro, do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ (Gesel).

No ano passado, o país gastou R$ 4,7 bilhões com o subsídio à geração de energia em sistemas isolados. Para este ano, já considerando o início das operações do Linhão, a conta cai para R$ 2,84 bilhões. A tendência, segundo especialistas, é de queda nos próximos anos, uma vez que o cálculo de 2013 considera Manaus isolada por seis meses. Agora conectada, a região metropolitana da capital do Amazonas era responsável por 60% do consumo de energia por sistemas isolados no Brasil.

O custo da geração térmica nesses sistemas é pago por meio da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) que, no início do ano, foi absorvida pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), outro encargo cobrado nas contas de luz. Atualmente, o Tesouro tem antecipado parte dos recursos ao setor, como forma de compensação pela redução no preço da energia estabelecido por lei no início do ano.

Além da economia, diz Castro, há ganho do ponto de vista ambiental, com a substituição da geração a combustíveis fósseis por energia renovável, gerada por hidrelétricas em outras regiões do país. “A conclusão das obras representa um grande salto de qualidade no fornecimento de energia para a região”, diz o professor. O sistema energético brasileiro funciona como uma grande rede, com linhas de transmissão ligando todas as regiões e permitindo a troca de energia de acordo com as condições de segurança dos reservatórios de hidrelétricas.

Com a conexão de Manaus ao Sistema Interligado Nacional (SIN), o Plano Anual de Operação dos Sistemas Isolados da Eletrobras prevê a desativação este ano de quatro térmicas movidas a óleo. A tendência é que novas usinas sejam desligadas nos próximos anos, de acordo com a evolução da capacidade do linhão de Tucuruí e do vencimento de contratos. Com abundância de gás natural, o estado manterá em operação usinas movidas por esse combustível.

Historicamente, havia dois grandes sistemas isolados: Acre/Rondônia, que foi interligado em 2009; e Manaus/Macapá, que começa a ser conectado agora. De acordo com o ONS, no primeiro dia de operação, a região metropolitana de Manaus teve um consumo médio de 897 MW, que passam a fazer parte das estatísticas do consumo de energia do SIN. Além disso, o sistema passa a contar também com a capacidade de geração da região, que conta com sete térmicas a gás natural e óleo, com 778 MW de capacidade, e com a usina hidrelétrica de Balbina, com 250 MW.

Além de Manaus, foram interligados ao sistema esta semana os municípios amazonenses de Presidente Figueiredo, Iranduba, Manacapuru e Rio Preto da Eva, segundo o boletim diário de operação do ONS. Com a travessia de centenas de quilômetros de mata fechada e de rios como o Amazonas, as obras do Linhão foram dificultadas por restrições de acesso — torres tiveram que ser levadas de helicóptero aos locais onde seriam instaladas — e de licenciamento ambiental. Para conseguir atravessar os 2,5 quilômetros de largura do Rio Amazonas, foram construídas duas torres com 280 metros de altura, quase do tamanho da Torre Eiffel, em Paris.

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