Rumo Logística investe R$ 200 mi em novo terminal ferroviário

Com aporte inicial de R$ 100 milhões, unidade de Itirapina receberá 12 milhões de toneladas de grãos por ano

Brasil Econômico - Juliana Ribeiro |

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Com investimento inicial de R$ 100 milhões, a Rumo Logística, subsidiária da Cosan, inaugurou a primeira etapa do terminal ferroviário de Itirapina, a 230 quilômetros de São Paulo. O novo terminal intermodal terá movimentação de 12 milhões de toneladas de açúcar e grãos por ano. “O Brasil tem uma vocação incontestável para produzir commodities, nossa lição de casa é investir em infraestrutura para torná-lo mais eficiente”, disse Marcos Lutz, presidente da Cosan.

A unidade já está em operação e faz parte do pacote de investimentos anunciados para a infraestrutura, de R$ 1,4 bilhão em cinco anos. Há um armazém com capacidade para 110 mil toneladas por ano, o qual receberá o açúcar produzido não só pelas usinas do grupo Cosan, mas também de outras 100 usinas, incluindo unidades da Copersucar e ADM — soja. Com a unidade de Itirapina, sobe para sete o número de terminais da Rumo, todos espalhados pelo estado de São Paulo.

Na nova unidade, também foi construída uma linha férrea, chamada de pera ferroviária, de 5,6 quilômetros de extensão e com capacidade para 250 vagões. Nela, os trens carregam e descarregam em movimento, sem a necessidade de fazer manobras, algo só encontrado no setor de mineração. Assim, cada vagão demora cerca de três minutos para encher ou ser esvaziado. “Com a inauguração dessa primeira etapa de Itirapina, concluímos R$ 1 bilhão em investimentos. Outros R$ 400 milhões virão até 2015” , explicou Júlio Fontana Neto, presidente da Rumo Logística.

Na segunda etapa do projeto, serão investidos outros R$ 100 milhões na construção de mais três armazéns, também em Itirapina, cada um com capacidade para 110 milhões de toneladas, além de uma moega (estrutura de armazenagem temporária) com capacidade para 30 mil toneladas ao dia e uma tulha — equipamento que faz o carregamento dos vagões — com capacidade para 44 mil toneladas diárias. Além disso, serão construídos outros cinco quilômetros de ferrovia. “Isso mostra a importância que a Rumo tem dentro dos negócios do grupo Cosan”, afirma Lutz. Neste ano, o faturamento da holding deve ser por volta de R$ 24 bilhões.

A companhia também mantém conversas com os acionistas, desde o início do ano, sobre a aquisição de uma fatia da ALL Logística, por meio de uma parceria para ampliar as operações de transporte. Atualmente, a Rumo já conta com 929 vagões e outras 50 locomotivas, tudo próprio, para o transporte diário. “Pode ser que até o final desse ano tenhamos a conclusão desse negócio”, diz Lutz.

Com o amplo funcionamento do terminal, deixarão de circular nas rodovias paulistas cerca de mil caminhões por dia, ou 30 mil por mês. “Além de desafogar o fluxo das estradas, ainda contribuiremos para a redução de poluentes”, diz Fontana. Na safra 2012/13, 60% do que foi produzido pelo grupo chegou ao porto via ferrovia. “Nossa expectativa é de que na próxima safra esse percentual chegue a 90%”, explica o presidente da Rumo.

Toda a carga que chega ao novo terminal tem como destino o Porto de Santos, onde a Rumo opera um dos maiores e mais modernos terminais do país, com capacidade para 18 milhões de toneladas de açúcar por ano. Para a próxima safra, a Rumo tem 9 milhões de toneladas de açúcar contratados para serem escoados via ferrovia.

“Essa capacidade é próxima do que o porto inteiro embarca de açúcar no ano”, explica Lutz. Lá está em fase de construção a cobertura do terminal de atracação, algo inédito no Brasil e que vai permitir à companhia fazer o carregamento dos navios ininterruptamente, inclusive nos dias de chuva. “Isso vai nos permitir operar em outros 120 dias do ano”, explica.

Segundo Lutz, o plano de infraestrutura, anunciado há cerca de dois meses pela presidente Dilma Rousseff, pode motivar novos investimentos do grupo no futuro. “Estamos avaliando as possibilidades."

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