Elétricas federais investem apenas 35% do previsto para transmissão em 2012

Sistema recebeu R$ 372 milhões de R$ 1,3 bilhão liberado para o ano. No Maranhão, foco de apagão em seis Estados, a Eletronorte empenhou 16,7% dos R$ 190,85 milhões para a rede

Nivaldo Souza - iG Brasília | - Atualizada às

A falha no sistema de transmissão de energia que ontem afetou seis Estados e deixou 5 milhões de pessoas sem luz no Nordeste, ocorre num momento em que as estatais federais fazem investimentos lentos na rede. No caso das companhias sob controle da União que atendem a região, a aplicação de recursos autorizados alcança até julho 35% do orçamento de 2012 julho, conforme levantamento do iG no sistema de acompanhamento das contas publicas do Senado Federal, o Siga Brasil.

Leia mais:

Apagão deixa seis Estados do Nordeste sem energia elétrica
Três cidades do Rio ficam 48 horas sem energia

O orçamento prevê o investimento de R$ 1,314 bilhão apenas para manutenção e ampliação da rede de transmissão de energia para Furnas, Chesf e Eletronorte. Elas executaram somente R$ 372,77 milhões desse montante.

No caso das Centrais Elétricas do Norte do Brasil (Eletronorte), que opera no Maranhão, a execução orçamentária é a mais baixa: apenas 16,7%. A empresa investiu R$ 31,862 milhões de um total R$ 190,85 milhões autorizados pela União. A maior fatia do montante (R$ 126 milhões) é justamente para a manutenção do sistema de transmissão de energia da Região Norte. A Eletronorte aplicou R$ 17,831 milhões desse total.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já identificou que ontem houve uma falha explosão na subestação da Companhia Energética do Maranhão na cidade de Imperatriz. A falha derrubou a energia cidades maranhenses e invadiu a rede afetando também municípios do Ceará. ONS indicou ainda a falha em um transformador na interligação do sistema Sudeste-Nordeste e Norte-Nordeste.

A Companhia Hidrelétrica do São Fransciso (Chesf), dona de uma malha com 18 mil quilômetros de rede de transmissão e responsável por interligar os sistemas das regiões Norte, Sudeste e Centro-Oeste, executou no primeiro semestre 35,5% do total reservado para o ano. Foram R$ 241 milhões em manutenção e ampliação do sistema de um total de R$ 678,862 milhões.

Já Furnas, detentora de uma malha de distribuição com 20 mil quilômetros, executou apenas 22,45% da verba destinada para reforço na malha e ampliação da rede de distribuição. A empresa aportou R$ 99,885 milhões do total de R$ 444,771 milhões liberados.

O valor não inclui a execução de apenas R$ 64,8 milhões dos R$ 432,5 milhões destinados à manutenção do sistema de transmissão das regiões Centro-Oeste e Sudeste, posteriormente interligadas ao sistema Nordeste, como mostrado pelo iG há uma semana.

Na avaliação professor Nivalde de Castro, do grupo de estudo do setor elétrico da UFRJ, a falha ocorrida no Nordeste neste final de semana não necessariamente se deve à lentidão na execução de investimentos. “Isso [lentidão] é histórico, ocorre todo ano”, diz. “Não há uma correlação entre investimento e falha”, observa.

Ele credita a falha no sistema a partir do Maranhão ao tamanho da malha de transmissão. “É um sistema complexo, muito grande, com mais de 100 mil quilômetros, que pode falhar quando há qualquer probleminha”, afirma.



Leia tudo sobre: elétricasenergiafurnaschesfapagão

Notícias Relacionadas


    Mais destaques

    Destaques da home iG