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De janeiro a março, vendas de computadores portáteis somaram 1,36 milhão de unidades, segundo Abinee

A venda de computadores cresceu 23% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2009. Foram 2,89 milhões de máquinas comercializadas nos três primeiros meses de 2010, sendo 1,36 milhão de notebooks - em alta de 70% na comparação entre os períodos - e 1,53 milhão de desktops (computadores com torre) - praticamente estáveis (ligeira queda de 1%).

Os dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e da consultoria IT Data indicam que os notebooks já correspondem a 52% dos computadores vendidos para o consumidor final no mercado brasileiro.

"Desde o final do ano passado percebemos o crescimento no varejo dos produtos de maior mobilidade, que é o que busca o consumidor doméstico. E o preço do notebook em queda tem ajudado esse mercado a crescer", diz Hugo Valério, diretor de informática da Abinee.

Em vendas totais, os desktops ainda são os mais procurados por causa do mercado corporativo, que dá preferência para as estações fixas de trabalho, cujo desempenho é, em geral, superior ao dos notebooks, além de serem mais baratos e permitirem melhorias,como a ampliação da memória.

Na comparação com o último trimestre de 2009, o mercado vendeu 700 mil computadores a menos, mas a retração se deve a um fator sazonal. "Nos primeiros três meses do ano o brasileiro está sempre endividado e costuma deixar a compra de produtos de informática para os meses seguintes", comenta o diretor da Abinee.

Para o professor do curso de Ciências da Computação da Fundação Educacional Inaciana (FEI), Plinio Thomaz Aquino Junior, o crescimento do mercado de informática decorre do barateamento dos produtos e da possibilidade cada vez maior de usar e acessar serviços pela internet.

"Hoje, o imposto de renda é feito pela internet, assim como os boletins de ocorrência. As pessoas precisam estar conectadas para isso." O crescimento do notebook no mercado doméstico pode ser explicado pela queda do preço, que hoje é compatível com os dos desktops.

"Os computadores em estações fixas têm um uso profissional, como no caso de quem trabalha com imagem, por exemplo. Já os notebook atendem muito bem o consumidor doméstico, que não vai exigir grande performance do produto, além de ocupar um espaço menor", diz Aquino Junior.

A desvantagem do notebook frente aos desktops ainda é a limitação da expansão do uso, ou seja, da melhoria de componentes que vão fazer o computador ficar mais rápido ou apropriado para usos específicos.

"Não cabe uma placa de vídeo de última geração para ser usada em jogos, por exemplo", afirma o coordenador dos cursos de Tecnologia da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap), Celso Poderoso. Dentro da categoria de portáteis há também os netbooks, que já correspondem a 17% das vendas dentro deste grupo no primeiro trimestre. São máquinas menores, de maior portabilidade, porém têm limitações.

"É um produto para acesso à internet e produção de texto, que não permite um uso muito maior que isso. Mas como o consumidor doméstico usa basicamente a internet, esse item pode atender muito bem esse perfil de usuário", explica Poderoso.

Expectativa

De acordo com Valério, a previsão do mercado é chegar a 14 milhões de unidades (note e desk) até o final do ano, um crescimento de 17% em relação a 2009. Os desktops devem representar 7,10 milhões de unidades e os notebooks, 6,8 milhões.

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