Pela primeira vez, vendas de LCD serão maiores que as de televisores de CRT, que devem deixar de ser produzidos em três anos

A televisão brasileira completa 60 anos neste sábado, dia em que a primeira transmissão oficial foi realizada pela Rede Tupi, no canal 3, em 1950, em São Paulo. Mas o ano em que a TV comemora seu 60º aniversário também deve entrar para a história como o declínio da era dos televisores de tubo no País.

Ao longo de seis décadas, os cinescópios - ou os tubos de raios catódicos, conhecidos pela sigla em inglês CRT (cathodic ray tube) - passaram por várias revoluções tecnológicas, como a mudança da imagens em preto e branco para cores, a alteração da captura de sinais por antena para as transmissões a cabo, o lançamento do videocassete, sucedido anos depois pelo aparelho de DVD. Até hoje, os televisores são chamados de “linha marrom” pelos varejistas, termo herdado dos tempos em que os gabinetes eram feitos de madeira e funcionavam com válvulas.

O CRT, porém, não resistiu ao aparecimento das tecnologias de plasma e cristal líquido (LCD), que difundiram-se nos países desenvolvidos nos últimos dez anos. E outras novas tecnologias continuam chegando às lojas, como as telas de LED e 3D.

O Brasil, ao lado da Índia e de países africanos, é um dos poucos lugares do mundo onde os televisores de tubo ainda são fabricados. Mas, a partir de 2011, as vendas desses aparelhos vão se tornar cada vez mais residuais e, dentro de três anos, os fabricantes devem encerrar de vez a sua produção, dizem especialistas e fabricantes ouvidos pelo iG .

A Philips já não fabrica mais CRTs, e a Samsung deve parar sua produção em 2011 no Brasil. A indústria brasileira Semp Toshiba, que liderou o mercado de televisores nos últimos 20 anos no País, pelo menos, prevê fechar a linha de produção de aparelhos de tubo em 2013.

Pela primeira vez, serão vendidos em 2010 mais televisores de telas de LCD e plasma do que CRTs no mercado brasileiro. A previsão da indústria é de que sejam comercializados neste ano 6,5 milhões de aparelhos de TV de tela fina (LCD, plasma e LED) e algo entre 4,5 milhões e 5 milhões de aparelhos de tubo no País.

Substituição acelerada

Daqui para a frente, a substituição do CRT pelas novas tecnologias vai ocorrer de uma forma mais acelerada devido a uma escassez cada vez maior de componentes, na avaliação de especialistas. A Samsung, por exemplo, que fornecia cinescópios para outros fabricantes, parou de produzi-los no Brasil neste ano. Com isso, a TV de tubo tende a ficar cada vez mais cara, como aconteceu com as vitrolas ou os videocassetes, enquanto os televisores de LCD tendem a se tornar cada vez mais baratos, em razão dos ganhos de escala de produção.

“Os preços dos televisores de LCD já ficaram muito competitivos em relação ao tubo”, afirma Rafael Cintra, gerente da divisão de televisores da Samsung. Um LCD de 22 polegadas já é vendido por cerca de R$ 600, um valor próximo ao de um aparelho de tubo de 21 polegadas, sendo que as telas dos primeiros aparelhos são no formato “widescreen” (retangular), enquanto as telas das TVs CRT são quadradas.

O lançamento das telas de plasma e LCD, bem como a captura de sinais de TV por aparelhos móveis, revolucionou a forma como as pessoas se relacionam com os televisores. Na era do CRT, o consumidor escolhia entre uma tela de 14, 21 e 29 polegadas e optava por uma ou outra marca pela qualidade da imagem.

Hoje, porém, o grande número de opções de formatos, de vários tipos de polegadas, a oferta de novos recursos, como entrada HDMI, além da convergência tecnológica com os computadores pessoais, transformaram a compra de um televisor em uma escolha muito mais complexa. E a diferença de qualidade entre uma e outra marca também deixou de ser algo que salta aos olhos, como acontecia no passado, já que qualquer indústria pode ter acesso aos componentes, produzidos em grande parte na China.

Ciclo de vida

Os ciclos de vida das tecnologias também estão cada vez mais curtos, o que deve fazer com que os consumidores se sintam impelidos a trocar o televisor em um prazo cada vez menor, como já acontece com os computadores. A tecnologia plasma, por exemplo, mal surgiu e já foi substituída pelo LCD. Mesmo no Brasil, as vendas de televisores de plasma já estacionaram em 500 mil peças. Nos próximos anos, a expectativa é que o LCD deve ser trocado pelo LED, cuja espessura das telas é bem mais fina, inferior a 1 centímetro.

Muitas das marcas que reinaram durante os 60 anos da predominância do CRT também não resistiram. As coreanas LG e Samsung, que chegaram ao Brasil em meados da década de 1990, conseguiram se consolidar no Brasil, ganharam prestígio com os consumidores e ocuparam o espaço deixado por grandes nomes no passado, como Sharp e Mitsubishi.

As duas marcas japonesas desapareceram do mercado brasileiro nos últimos dez anos devido aos problemas financeiros enfrentados pelos seus parceiros locais. A Sharp era sócia da família Machline, que faliu depois da morte do fundador Mathas Machline em um acidente aéreo em 1994, enquanto a Mitsubishi possuía um acordo com o empresário Leo Kryss, que entrou em dificuldades financeiras após a quebra da rede de varejo Arapuã, em 1998. 

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