Superávit da balança da Petrobras no ano será menor que em 2009

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A balança comercial da Petrobras deve encerrar o ano com um superávit perto de 2 bilhões de dólares, abaixo do resultado de 2,8 bilhões de dólares verificado em 2009, disse o diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa.

Segundo ele, o resultado será inferior ao registrado no ano passado devido ao aumento de importação de alguns derivados.

"Tenho convicção de que vamos fechar o ano bastante positivo, mas acho que vai ficar um pouco abaixo do ano passado", disse ele a jornalistas após cerimônia que marcou entrada em operação do navio-plataforma Cidade de Angra dos Reis, o primeiro sistema definitivo de produção na área de Tupi, no pré-sal da Bacia de Santos.

"Tivemos que importar muito diesel neste ano e tivemos paradas técnicas, forçando a importação de derivados e isso vai afetar a balança", acrescentou Costa.

De acordo com ele, as refinarias da empresa estão sendo capacitadas para aumentar a produção de diesel do país.

Costa destacou que a demanda por combustíveis em 2010 está bastante aquecida e com elasticidade bem acima do Produto Interno Bruto (PIB).

O executivo estima que o mercado crescerá dois dígitos neste ano depois de uma expansão de 12 por cento no primeiro semestre.

O aumento no consumo está sendo impulsionado neste ano por gasolina e querosene de aviação (QAV), com números acima de 15 por cento até o primeiro semestre.

"O crescimento no segundo semestre continua excepcional", disse ele.

Costa explicou que o aumento na demanda por gasolina em 2010 se deve ao aumento no preço do etanol e do QAV em razão do grande movimento nos aeroportos do país.

TUPI

O diretor da estatal disse ainda que, com a entrada de produção no navio-plataforma Cidade de Angra dos Reis, o Brasil poderá deixar de importar óleo leve para a produção interna de lubrificantes.

Atualmente, a Petrobras compra do exterior pelo menos 100 mil barris, principalmente do Oriente Médio.

"Nosso centro de pesquisas já iniciou esse trabalho. Já estamos processando petróleo do pré-sal em nossas refinarias. Quando tivermos os detalhes mais aprofundados, vamos tomar essa decisão, que pode levar até dois anos", afirmou.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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