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Em parceria com o chef Sergio Arno, dona da marca Renata quer criar rede de franquias; prato mais barato sai por R$ 7

Tradicionalmente reconhecida por fabricar macarrão, a Selmi está buscando maneiras de reinventar sua atuação no setor de alimentos. Há um ano, diversificou seu portfólio de produtos e iniciou a produção da primeira linha de biscoitos Renata. E, mais recentemente, lançou o primeiro restaurante fast-food que leva o nome da mesma marca, o Renata Express chef Sergio Arno.

Daniela Barbosa, iG São Paulo
Restaurante Renata, em Barueri (SP): cerca de 150 clientes são atendidos todos os dias
A inauguração de um restaurante piloto com o nome de uma de suas marcas de massas tem como propósito aumentar as vendas do macarrão instantâneo e difundir também o nome Renata em outras regiões do Brasil - a companhia é dona também do macarrão Galo. Segundo Ricardo Selmi, presidente da empresa, a ideia da empresa é expandir o novo negócio por meio de franquias para o resto do País.

A unidade piloto está localizada no Shopping Tamboré, no município de Barueri, na Grande São Paulo, e tem como prato principal macarrão instantâneo com molhos variados. Os 16 diferentes molhos são assinados pelo conceituado chef de cozinha italiana Sergio Arno, dono dos restaurantes La Vecchia Cucina e La Pasta Gialla. Apesar do toque de glamour, o restaurante oferece pratos a partir de R$ 7.

O passo inicial do negócio foi dado há dois anos. Apaixonado convicto por massas instantâneas, o chef Arno procurou a Selmi para firmar a parceria. Ele entrou com a experiência na cozinha italiana e os molhos que levam a sua marca e a Selmi, com a massa. A ideia é mostrar aos consumidores que pratos sofisticados podem ser feitos como macarrão instantâneo, afirma o chef. “Queremos mostrar que a massa de instantâneo é tão boa quanto a tradicional”, disse Arno.

O restaurante está em funcionamento há um mês e atende cerca de 150 clientes por dia. Os pratos mais pedidos são os com molhos à bolonhesa e quatro queijos. Há também as opções de molhos funghi, vegetariano e bacalhau. Até o fim do próximo ano, 30 unidades devem estar operando em todo o País. "Queremos abrir também lojas de rua e não apenas em praças de alimentação de shoppings", afirmou Arno.

A parceria entre a Selmi e Arno, no entanto, vai além do restaurante de massas. Até o fim do ano, a Selmi lançará uma linha de instantâneos premium, com sabores de molhos assinados pelo chef. Serão cinco diferentes sabores, bastante inusitados, segundo ele. O chef não quis revelar as variantes.

Macarrão com ovos: coisa de paulista

A marca de massas Renata é bastante conhecida na cidade de São Paulo, mas pouco notória no restante do País. A justificativa para a preferência dos paulistanos está, segundo os especialistas, em um dos ingredientes do macarrão, que leva em sua fórmula ovos e não apenas sêmola (um composto de cereais moídos). O preço também é outro fator que contribui para a baixa aceitação do produto em outras regiões. “O macarrão Renata pode ser considerado a nossa linha de massas premium e, por isso, é um pouco mais cara que a Galo”, disse Ricardo Selmi.

Segundo ele, com a expansão das franquias do fast-food Renata, a marca naturalmente se tornará mais conhecida e consumida em outras regiões. As regiões Sul e Sudeste são responsáveis por 85% do faturamento da companhia; o restante se divide entre as outras três regiões. As massas, sem o instantâneo, representam mais de 60% da receita da empresa. O macarrão Galo corresponde a 62% desse percentual; o Renata, a 38%. Já o macarrão instantâneo responde por 13% do faturamento total da companhia.

A Selmi disputa a segunda posição entre as maiores produtoras de massas secas com a M. Macedo, dona das marcas Petybon, Brandini e Dona Benta, e detém aproximadamente 12% do mercado. A líder é a M. Dias Branco, dona de marcas como Adria, Basilar e Zabet. A empresa tem mais de 30% do mercado.

Empresa centenária

Prestes a criar sua própria rede de fast-food, a Selmi nasceu quando essa expressão sequer fazia parte do cotidiano dos brasileiros. A companhia, fundada pelo italiano Adolfo Selmi em Campinas (SP), está no mercado há mais de 120 anos. Na época, o imigrante tinha uma tímida linha de produção manual de macarrão, que não ultrapassava nove quilos por dia. A venda era feita de porta em porta a imigrantes italianos que viviam na região.

Prato de macarrão instantâneo com molho funghi. Os molhos mais pedidos são à bolonhesa e quatro queijos
Daniela Barbosa, iG São Paulo
Prato de macarrão instantâneo com molho funghi. Os molhos mais pedidos são à bolonhesa e quatro queijos

A Selmi possui duas unidades fabris em operação. A sede fica em Sumaré, interior de São Paulo, e há também uma fábrica de massas em Londrina (PR). Até o fim do próximo ano, a companhia pretende inaugurar sua terceira unidade, desta vez em solo nordestino. A nova unidade vai facilitar a atuação da marca na região e ampliar as exportações para países da América do Sul, África, Ásia e Europa.

O Brasil, no ranking de produtores de massas secas, figura a terceira posição, atrás somente da Itália e dos Estados Unidos. Segundo dados dilvulgados pela Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima), o faturamento do setor, em 2009, superou a marca de R$ 5,8 bilhões. No País, anualmente, são produzidas 1,3 milhão de toneladas de massas.

Em 2009, o setor de massas instantâneas faturou mais de R$ 1,6 bilhão, com alta de 7% na comparação com o ano anterior. Para este ano, o setor espera crescer entre 12% e 14%.

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