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De carros compactos a utilitários, as fabricantes vendem de tudo. Saiba detalhes das fabricantes chinesas que chegaram ao País

Os primeiros carros chineses chegaram ao Brasil em 2007, quando os modelos da Chery, da Effa e da Geely começaram a ser vendidos por aqui. De lá para cá, outras quatro montadoras se instalaram no País. Até o final do ano esse número vai aumentar ainda mais. No Salão do Automóvel, que acontece em São Paulo entre os dias 27 de outubro e 7 de novembro, oito fabricantes já confirmaram presença para expor seus veículos. Em comum, todas apostam numa estratégia de oferecer mais opcionais, como ar-condicionado e freio ABS, por um preço até 30% mais baixo que seus concorrentes. Saiba mais sobre a estratégia das montadoras chinesas para se dar bem no mercado brasileiro:

JAC Motors
A empresa vai debutar no Brasil durante o Salão do Automóvel, mas a chegada oficial só vai acontecer no dia 18 de março. Nos corredores do Grupo SHC, importadora oficial da marca, a data ganhou até nome: Dia J, alusão ao nome que foi dado ao desembarque dos aliados na Normandia durante a Segunda Guerra Mundial. A princípio, apenas dois modelos serão vendidos no Brasil: o J3 e o J6. O primeiro é um compacto premium, que vai competir com modelos como o C3, o Agile e o Fiesta. Seu preço sugerido será R$ 36 mil. Já o J6 é um monovolume que vai disputar mercado com o Fit, o Meriva e o Picasso – deve custar a partir de R$ 45 mil. O empresário Sérgio Habib, ex-presidente da Citroën no Brasil e hoje representante da Jaguar e da Aston Martin, espera vender três mil unidades da JAC Motors por mês – ou 1% do mercado brasileiro. Para isso, aposta em carro chinês com uma pitada de globalização. A montadora, fundada na década de 60, tem um centro de design em Torino, na Itália, e usa produtos de fabricantes de peças americanas e alemãs para produzir seus carros. “Os carros da JAC são tão bons quanto os modelos brasileiros”, disse Habib. “Até 2012 serão tão bons ou melhores que os europeus e japoneses”.

Effa Motors
No mercado automotivo, a Effa Motors é chamada de montadora sino-uruguaia. Isso porque os carros são produzidos pela chinesa Changhe, mas foram rebatizados com o sobrenome do empresário uruguaio que trouxe a marca para a América Latina, Eduardo Effa. Quando resolveu desembarcar no Brasil, a fabricante explorou ao máximo a ideia de que os carros chineses têm de ser mais baratos do que seus concorrentes. Na época, o M100, que disputa mercado com o Uno, da Fiat, era vendido por R$ 19,9 mil. Hoje ele sai por algo em torno de R$ 24 mil. Além da disputa pelo preço, o M100 comprou outra briga com os italianos. Na China, ele é chamado de Ideal – um nome muito parecido com Idea, que é um modelo da Fiat. Após uma ameaça de resolver a questão na Justiça, a Effa se viu obrigada a mudar o nome do seu automóvel. Além do modelo popular, a Effa Motors importa utilitários que podem ser usados para transportar passageiros ou carga. A estimativa da fabricante é que cerca de 800 desses veículos sejam vendidos por mês no País. “Nossa meta é conquistar cerca de 1% do mercado brasileiro”, diz Clairto Acciarto, diretor comercial da Effa Motors. A montadora sino-uruguaia conta com cerca de 60 concessionárias espalhadas pelo Brasil.

Lifan
A primeira vez que a montadora deu as caras no Brasil foi em 2008, quando participou do Salão do Automóvel. Foram necessários quase dois anos para que a fabricante chegasse de vez ao Brasil. De acordo com os executivos do grupo Ever Electric, do empresário uruguaio Eduardo Effa, a Lifan chegará ao Brasil até o final de agosto com dois modelos: o 320 e o 620. O primeiro ganhou o apelido de Mini Cooper chinês por causa da semelhança com o modelo produzido na Inglaterra. Os outros dois são carros para a família. Até o final do ano, a empresa deve trazer também o modelo 520 e um jipe, cujas datas de lançamento ainda não foram relevadas. Quando começar a vender os automóveis, a Lifan vai contar com uma rede pequena de concessionárias, apenas dez. Mas até o final do ano esse número deve aumentar em 50%. Os carros serão produzidos no sistema SKD: serão montados no Uruguai, numa fábrica que hoje produz oito carros por hora. Já existem planos até para produzir motor na América Latina. “O Lifan é uma compra inteligente”, diz Clairton Acciarto, diretor comercial do grupo. “É um bom veículo por um preço acessível”.

O Tiggo, da Chery: montadora vai implantar uma fábrica no País ao custo de R$ 1,2 bilhão
Divulgação
O Tiggo, da Chery: montadora vai implantar uma fábrica no País ao custo de R$ 1,2 bilhão
Chery
A Chery é uma das primeiras fabricantes chinesas a desembarcar no mercado brasileiro. Chegou ao País em 2008, quando pouca gente tinha ouvido falar das montadoras chinesas, e está à procura de um lugar para abrir a primeira linha de produção no Brasil. De acordo com o jornal "O Estado de S. Paulo", a matriz da fabricante de automóveis já teria escolhido o lugar: seria num terreno de 1,5 milhão de metros quadrados em Jacareí, no interior de São Paulo. Segundo o jornal, a empresa investiria US$ 700 milhões, ou R$ 1,2 bilhão, para construir uma fábrica com capacidade para fazer até 170 veículos ao ano. Procurado pelo iG , o Grupo JLJ, responsável pela importação dos automóveis, não confirma a informação e diz que as negociações estão sendo tocadas diretamente pela sede da empresa na China. A Chery vende três modelos no Brasil: o Cielo, o Tiggo e o Face, que acaba de chegar ao mercado e recebeu boas críticas dos especialistas. Nos próximos meses, a empresa deve trazer para cá o QQ, considerado um dos carros mais baratos do mundo ao lado do Nano, da indiana Tata Motors. Fundada em 1997, a Chery possui mais de 15 fábricas construídas ou em processo de construção e emprega algo em torno de 22 mil funcionários.

Jinbei e Hafei
Na década de 1990, a Topic e a Towner chegaram ao Brasil importados da Coreia do Sul. Logo viraram os utilitários preferidos para ser usados como ambulâncias e transporte escolar e para vendedores de cachorros quentes. Apesar do grande sucesso, a montadora Asia Motors pediu falência e foi embora do País, deixando para trás uma montanha de dívidas. Mais de 10 anos depois, a Topic e a Towner estão de volta ao Brasil. Desta vez, são produzidos por duas fabricantes chinesas, a Jinbei e a Hafei, respectivamente, e trazidos ao País pelo grupo Omni. “É impressionante que as antigas Topics e Towners ainda existem nas ruas”, disse Ricardo Strunz, diretor geral do grupo Omni. “Esses dois modelos têm um recall muito forte na cabeça das pessoas”. Quando estiver à venda, até o final de agosto, a Topic vai custar R$ 55 mil. Até meados do ano que vem, a expectativa é de que duas mil peruas sejam vendidas. Já a Towner vai custar a partir de R$ 21 mil e tem como expectativa comercializar cerca de oito mil unidades até 2011. Além do preço, as duas fabricantes apostam numa outra estratégia para atingir os objetivos: a exploração de nichos. “Tinha pouca gente vendendo produtos nesse mercado e resolvemos explorá-lo”.

O Mini Benni, da montadora Chana: estreia no Salão do Automóvel, que acontece entre os dias 27 de outubro e 7 de novembro em São Paulo
Divulgação
O Mini Benni, da montadora Chana: estreia no Salão do Automóvel, que acontece entre os dias 27 de outubro e 7 de novembro em São Paulo
Chana
A montadora chegou ao Brasil no primeiro semestre de 2007 com dois modelos da linha de utilitários, o Family e o Utility. Eles lembram muito o Towner, mas suas vendas nunca engrenaram. Naquele ano, foram comercializadas 468 unidades. Nos dois anos seguintes, mais 1,4 mil – o que dá pouco mais de 50 carros por mês. A fabricante reconhece que é pouco. Para Floriano Gardelli Filho, gerente comercial da Districar, grupo português que importa os carros para o Brasil, um dos motivos pelo insucesso é a linha de produção na China, que está trabalhando abaixo da capacidade por causa de uma reestruturação. A Chana espera virar o jogo com a linha de carros de passeio. No Salão do Automóvel, vai apresentar três modelos: o Benni, Mini Benni e o Alsvin. A empresa não revela ainda grandes detalhes do lançamento dos veículos, mas uma coisa é certa: eles só chegam ao mercado brasileiro a partir de 2011. “Queremos revolucionar o mercado de automóveis”, afirmou Gardelli. A Chana é uma montadora com história na China. Também chamada de Chang’na, foi fundada no final da década de 50 e fechou parcerias para montar veículos de marcas mais conhecidas, como Suzuki, Ford e Volvo.

Faw Haima
A montadora foi fundada em 1988 na província de Jilin, na China. Apesar do pouco tempo de mercado, a empresa tem um veículo entre os três mais vendidos do país: o sedã Family. Quem quiser conhecer o carro de perto vai ter de esperar até o Salão do Automóvel, que será realizado em São Paulo a partir do final de outubro. O Family é um dos quatro carros que a Districar, grupo português que importa os modelos Chana, vai trazer para o Brasil. Além dele, chegarão também o Haima 2, o Haima 3 e o jipe S7. A empresa ainda não dá maiores detalhes sobre os lançamentos. A única coisa que deixa escapar é o possível preço inicial do Haima 2, um hatchback que deve custar algo em torno de R$ 29 mil. A estratégia da Faw Haima para o mercado brasileiro será a mesma de outras fabricantes chinesas: oferecer um veículo com mais opcionais por um preço mais baixo do que seus concorrentes diretos. Na China, a Faw Haima foi durante muito tempo parceira da japonesa Mazda, de quem absorveu grande parte da tecnologia usada nos carros produzidos hoje. A empresa conta com dois complexos industriais, capazes de produzir cerca de 500 mil veículos ao ano.

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