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Fabricante paulista de máquinas não conseguiu obter o apoio de acionistas representantes de dois terços do capital da Hardinge

A investida da fabricante de máquinas-ferramenta Indústrias Romi pela americana Hardinge chegou ao fim sem alcançar os objetivos da companhia brasileira. A oferta hostil lançada no dia 30 de março - e que teve prazo prorrogado por três vezes - terminou ontem sem a adesão de dois terços do capital da Hardinge, como pretendia a Romi. No total, detentores de ações equivalentes a 49,3% da empresa americana aderiram à proposta de US$ 10 por ação.

A empresa de Santa Barbara d´Oeste, no interior de São Paulo, não conseguiu abrir um canal de negociação com a cúpula americana para viabilizar a retirada dos mecanismos de proteção à compra de uma participação igual ou superior a 20% do capital (pílula de veneno), uma das condições ao sucesso da oferta. "Estamos desapontados que o conselho de administração e os administradores da Hardinge não estiveram dispostos a iniciar qualquer diálogo", afirma, em nota, Livaldo Aguiar dos Santos, presidente da empresa brasileira. "A Romi, a partir de agora, irá se concentrar em outras alternativas para continuar a executar os seus planos de crescimento estratégico", acrescenta.

A empresa já havia separado a maior parte dos recursos para a compra da Hardinge por meio de aporte em uma subsidiária nos Estados Unidos, a Helen. Santos já havia informado que os recursos poderiam ser usados para outros movimentos de expansão no exterior, como alternativa a um possível fracasso na oferta pela Hardinge.

A companhia americana - que produz tornos, centros de usinagem e retificadoras - manifestou hoje satisfação com o fim da oferta hostil. "Estamos satisfeitos em poder deixar para trás a distração com a oferta da Romi e manter nosso foco no negócio de construir valor aos nossos acionistas", assinalou, em nota, Kyle H. Seymour, presidente do conselho de administração da Hardinge. Desde o início, a proposta da Romi encontrou resistência na cúpula da Hardinge, que classificou a oferta como inadequada, oportunista e fora dos interesses da empresa e seus acionistas.

No início de maio, os brasileiros elevaram o preço oferecido por ação de US$ 8 para US$ 10, o que levou o montante pela totalidade do capital para US$ 116,9 milhões. Mesmo assim, os americanos mantiveram a posição de não abrir as negociações.

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