A previsão é da Abimaq, que estima que o PSI contribuirá para uma taxa investimento em capital produtivo de 19% em 2010

A indústria de máquinas e equipamentos estima em R$ 67 bilhões o impacto nos investimentos a partir das iniciativas do governo no âmbito do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que melhorou as condições de financiamento dos bens de capital.

A conta leva em consideração a estimativa de crescimento da economia brasileira em 7,7%, junto com a tendência de que a formação bruta de capital fixo ficará em 19% em 2010.

Sem o apoio do PSI, a taxa dos investimentos destinados ao capital produtivo ficaria dois pontos percentuais abaixo disso, em 17%, projetou nesta terça-feira a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Lançado em meados do ano passado, o programa - que inclui juros de 5,5% ao ano nos financiamento de máquinas e equipamentos - foi estendido até dezembro, mas o setor defende a manutenção dessas medidas no próximo ano, quando um novo governo tomará posse.

Hoje, durante a apresentação dos resultados da indústria de bens de capital em junho, a entidade apontou que os investimentos gerados pelo PSI devem garantir neste ano a criação de aproximadamente 210 mil empregos diretos.

Ao comentar os números do primeiro semestre, o presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto, relacionou a recuperação do setor no período à manutenção do programa. Como as exportações ainda mostram um comportamento tímido, é justamente o crescimento da demanda doméstica que tem sustentado as vendas dessa indústria, que mostraram acréscimo de 13,2% na primeira metade do ano, alcançando R$ 33,9 bilhões.

Em um ano, o nível de emprego nas fábricas brasileiras de máquinas e equipamentos subiu 5,8%, para 244.651 pessoas em junho. "O pessoal acredita nos investimentos no pré-sal, no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), nas Olimpíadas, na Copa do Mundo e no trem-bala", disse Aubert Neto, ao explicar as contratações.

A atividade no setor também está em alta. No mês passado, a utilização da capacidade instalada na indústria de máquinas e equipamentos chegou a 83,6%, acima dos 80,8% de igual período do ano passado, mas ainda abaixo dos patamares pré-crise, quando a utilização chegou a 86,9%, em setembro de 2008.

Apesar disso, a perda de competitividade no cenário internacional ainda preocupa o setor. Durante o primeiro semestre, as importações de máquinas e equipamentos no país cresceram 14,6%, para US$ 10,658 bilhões, enquanto as exportações cresceram menos, marcando alta de 6,5%, para US$ 4,045 bilhões no mesmo período.

Nesse ritmo, o déficit comercial do setor deverá alcançar US$ 13,226 bilhões até dezembro, superando em 18,6% o saldo negativo de 2009 (US$ 11,146 bilhões). O avanço dos produtos chineses no mercado brasileiro puxa essa tendência. No primeiro semestre, as importações de máquinas e equipamentos da China cresceram 57,9%. O país asiático é o terceiro maior fornecedor estrangeiro de bens de capital a empresas brasileiras, com uma participação de 11,7% das importações do Brasil nesse segmento. Na frente da China estão a Alemanha (12,5%) e os Estados Unidos (26,2%).

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