Publicidade
Publicidade - Super banner
Empresas
enhanced by Google
 

Petrobras entra de vez no mercado de etanol

Com a compra de 45% da Açúcar Guarani, estatal é considerada a empresa com maior potencial de crescimento do setor

André Vieira e Alexa Salomão, iG São Paulo |

A compra pela Petrobras de 45% da Açúcar Guarani, controlada pela francesa Tereos, anunciada nesta sexta-feira, marcou o tão esperado ingresso para valer da gigante estatal brasileira no setor de açúcar, álcool e energia. "Pela primeira vez, a Petrobras botou o pé no setor", diz Antonio de Pádua Rodrigues, diretor-técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Surpreso que o movimento da estatal tenha sido feito sobre o grupo francês, Pádua Rodrigues dá o tom do significado. “A Petrobras passa a ser acompanhada como o maior player em potencial de crescimento”.

Agência Estado
A Petrobras Biocombustíveis, subsidiária da estatal, vai desembolsar R$ 1,6 bilhão para ter 45% da quarta maior empresa do setor de açúcar e álcool do Brasil
A estatal já tinha feito um movimento que passou quase desapercebido às vésperas do Natal do ano passado em razão do seu porte. A estatal pagou R$ 150 milhões para ficar com 40% da usina Total Agroindústria Canavieira, situada em Bambuí (MG), com capacidade instalada de produção de 100 mil litros de etanol por ano.

O acordo com a Guarani é substancialmente maior. , dona de sete plantas industriais, seis no País e uma em Moçambique. Na safra de 2010/11, a Açúcar Guarani deve processar 17,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Só perde para a Cosan, LDC Commodities e Bunge, as principais do setor hoje.

Analistas avaliam que o valor pago pela estatal é considerado alto. A Petrobras vai desembolsar o equivalente a quase US$ 120 por tonelada de cana, valor que só perde para os US$ 124 por tonelada que foi pago pela espanhola Abengoa pela usina São João, de São João da Boa Vista (SP), em 2007, no auge da euforia do etanol. O preço é o dobro do ano passado, quando a crise pegou em cheio inúmeros grupos usineiros endividados.

Passo acelerado

Muita gente vê razões políticas para o movimento da Petrobras no setor de açúcar e álcool. “Era bem previsível que a Petrobras fizesse uma grande aquisição em um governo com matizes nacionalistas”, diz Paulo Costa, do Buranello Passos Advogados. A Petrobras desejava ter uma posição no setor, mas seu interesse cresceu depois do acordo fechado pela Cosan, controlada pelo usineiro Rubens Ometto, com a Shell no início do ano, abrindo uma porta no mercado brasileiro de biocombustíveis para o tradicional grupo petrolífero anglo-holandês.

A expectativa é que os maiores lances sejam feitos pelas empresas petroleiras. “Não podemos esquecer que este é um setor de energia, mas a ordem de grandeza do etanol nos demais negócios dessas companhias é muito pequena”, diz Plínio Nastari, sócio da Datagro, uma consultoria especializada no setor de açúcar e álcool.

Agora, os observadores ficarão atentos aos futuros passos da Petrobras. A estatal namorou a Usina Cerradinho, que procura um sócio. Outra possibilidade é associar-se a outros grupos. Esperava-se inicialmente que a Petrobras comprasse a Brenco, que fechou acordo com a ETH, do grupo Odebrecht. Mesmo assim, executivos ligados ao tradicional grupo empreiteiro não veem motivos para preocupação desde que a participação da estatal seja minoritária. Não seria surpresa se a Petrobras entrar no acordo entre as duas empresas quando houver a próxima assembleia, marcada para o dia 26 de maio.

Não é a primeira vez que ações de empresas disparam às vésperas de grandes negócios anunciados pela Petrobras. As ações da Açúcar Guarani subiam 11% na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) quando a notícia sobre o acordo foi dada pelo iG, às 17h04. O negócio só foi anunciado oficialmente pelas empresas mais tarde. Os papéis encerraram cotados com alta de 14%. Houve investigações que indicaram o vazamento de informações na venda à Petrobras do grupo Ipiranga e, depois disso, da Suzano Petroquímica. Nos dois casos, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Ministério Público assinaram termos de compromisso e ajuste de conduta. 

Leia tudo sobre: EtanolTereospetrobrasaçúcar guarani

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG