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Montadoras descartam elevação adicional de preços

Reajuste do minério de ferro tende a encarecer o aço; indústria já tem repassado aumentos depois do fim do desconto no IPI

Daniela Barbosa, iG São Paulo |

O setor automobilístico ainda não sabe se os reajustes no preço do aço vão ou não chegar ao bolso do consumidor, mas, ao que parece, as principais montadoras do País por ora descartam o repasse dos aumentos dos custos de seus insumos para o comprador final. Os reajustes de preços, se ocorrerem, serão uma dor de cabeça adicional para o setor, já que, neste mês, acabou o benefício do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para veículos novos, o que já vai encarecer os veículos, segundo análise da indústria.

As montadoras, que vivem uma de suas melhores fases, com projeção de crescimento recorde para este ano, acreditam que o impasse em relação a um reajuste adicional, motivado pelo encarecimento do aço, não vai encerrar o bom momento. “Acabamos de avaliar o impacto do fim do IPI e ainda não deu tempo de pensar nessa outra questão”, disse Alexander Seitz, vice-presidente de compras da Volkswagen.

Agência Estado
Queda de braço entre montadoras e siderúrgicas é recorrente

A "outra questão" sobre a qual fala o executivo trata do aumento do preço do aço. As mineradoras aumentaram em 100% o custo do minério de ferro em relação ao valor acertado há um ano, e o reajuste acaba sendo passado adiante pelas siderúrgicas. Movimento semelhante pode ocorrer na precificação do carvão metalúrgico, outra das matérias-primas necessárias para a fabricação do aço. Segundo especialistas, essas revisões podem encarecer o aço.

Seitz afirma que as montadoras vão acabar optando por manter os preços dos veículos. "Se for o caso, vamos importar o metal ou substituí-lo por outra matéria-prima para que o consumidor não seja prejudicado", disse.

João Pimentel, diretor de compras da Ford, segue linha de raciocínio semelhante. "Vamos buscar alternativas antes de repassar o aumento do aço para o preço final do nosso produto", disse. Segundo ele, o aumento não compensa para a companhia, que pode perder em volume de vendas.

Agência Estado
Vendas de veículos seguem em alta
Entre os consultados pelo iG, o diretor de compras do Grupo Fiat, Osias Galantine, foi o único que disse que se o reajuste vier, e se for necessário, a companhia vai repassar o aumento. Segundo ele, contudo, ainda não dá para saber se o repasse ocorrerá. “Vamos fazer o que for melhor para a economia do País”, disse.

Reajuste do aço pode superar 20%

O aumento do preço do minério de ferro e o reajuste do carvão metalúrgico vão fazer com que o preço do aço suba, atesta Sérgio Andrade, vice-presidente de negócios da Usiminas. A companhia não tem como segurar o preço, afirma. A siderúrgica reuniu-se nesta terça-feira com representantes da indústria para discutir o novo preço da matéria-prima. Segundo projeção da Brascan Corretora, o aumento do custo do aço ao longo de 2010 será de 22%, com impacto maior terceiro trimestre.

Hoje, o setor automobilístico consome mais de 50% do aço produzido pela Usiminas - e esse número deve chegar a 60% até o fim deste ano, segundo projeções da companhia. As montadoras acreditam que podem chegar a acordos nos quais ninguém saia perdendo. “Antes de ajustarmos os preços para os consumidores, podemos negociar com fornecedores. Afinal, nossa meta é fabricar veículos que as pessoas possam comprar”, disse Johnny Saldanha vice-presidente global de compras da General Motors.

O setor busca alternativas para não depender somente do aço na produção dos carros e cogita a utilização de alumínio e até plástico para substituir a matéria-prima. O aço representa 20% dos custos para a produção de um automóvel. Em média, a fabricação de um carro exige uma tonelada do material.

A queda de braço entre montadoras e siderúrgicas é recorrente. Entre 2002 e 2004, a alta do custo do aço foi de 85%, mas o impacto no preço dos veículos não chegou a 2%. Agora, com o aumento, Octávio Barros, diretor de pesquisa e planejamento do Bradesco, acredita que o custo na produção dos carros deva subir 8% até o fim do ano. “Sem dúvida o aumento vai ser sentido no bolso do consumidor”, diz.

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