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Montadoras aumentam horas extras para produzir mais

Emprego no setor automotivo subiu 4,7% em março, mas produção cresceu 20%, na comparação com o mesmo mês de 2009

Marina Gazzoni, iG São Paulo |

A rotina dos funcionários das montadoras de veículos ficou mais pesada em março. Esse foi o mês com maior volume de vendas e produção de veículos da história.

Para atender à demanda do mercado, a indústria automotiva aumentou o volume de horas adicionais de trabalho da sua equipe, segundo o iG apurou com seis sindicatos de trabalhadores do setor em diferentes regiões do País.

As montadoras reconhecem que os trabalhadores fizeram mais horas extras em março. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, o adicional de trabalho foi contratado para atender à demanda aquecida no período, puxada pela proximidade da extinção do benefício de Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para veículos, que deixou de vigorar em abril.

“Se a empresa não convocar horas extras quando mercado está aquecido, é pior para o trabalhador", diz Schneider. "Isso porque a montadora vai perder mercado e isso pode prejudicar o emprego no futuro.”

Vendas recordes

Em março, a indústria brasileira produziu 331 mil automóveis, 20% acima do volume registrado no mesmo mês de 2010. O emprego também cresceu, mas em ritmo menor, de 4,7%.

No mês passado, as fabricantes de veículos empregaram 127,8 mil pessoas, número ainda abaixo do registrado antes do período pré-crise econômica, quando o setor alcançou um máximo de 131,7 mil postos de trabalho.

Produção X Emprego, em mil unidades

Número de veículos produzidos foi recorde em março, mas emprego ainda não retomou nível pré-crise

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Anfavea

 

“Março foi carregado de horas extras e jornadas adicionais em todas as montadoras”, afirma Carlos Alberto Grana, presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos, ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Grana disse que a jornada de trabalho adicional se deve a uma demanda temporária, mas, se o volume de horas extras se mantiver, os sindicatos vão lutar por mais contratações.

A Anfavea espera uma queda nas vendas de veículos nos meses de abril e maio, por conta do fim do IPI reduzido. Não há demissões previstas, mas o volume de horas extras deve cair a partir deste mês, afirma Schneider.

Produção no fim de semana

Muitas montadoras operaram na sua capacidade máxima de produção em março e, para conseguir repor os estoques nas concessionárias, foi preciso convocar os trabalhadores para um expediente extra aos sábados e domingos.

AE
Acordo para criação de vagas: Volkswagen fecha acerto com os funcionários para geração de 120 novos postos de trabalho
Foi o que aconteceu na fábrica da Volkswagen de Tautabé (SP). “A fábrica está no seu limite de capacidade durante a semana e, para atender à demanda do mercado, precisou chamar os trabalhadores para uma produção adicional no fim de semana”, afirma Isaac do Carmo, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região, filiado à CUT.

Os trabalhadores se mobilizaram e deixaram de atender aos chamados para horas extras. . Os trabalhadores também conseguiram um abono salarial de R$ 1.500 e o fim de horas extras durante a semana. Procurada pelo iG, a Volkswagen não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

Na fábrica da Fiat, em Betim (MG), o expediente dos funcionários contou com oito horas semanais adicionais de trabalho, em média, além da jornada de 44 horas, segundo Marcelino da Rocha, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim, filiado à Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil (CTB).

A Fiat não divulga dados sobre horas extras nas suas fábricas, mas afirma que os adicionais são estabelecidos em acordos coletivos firmados entre a montadora e o sindicato que representa seus funcionários. A Fiat informou que pretende ampliar seu quadro de funcionários. Em março, foram anunciadas mil contratações e a montadora prevê alcançar 15.300 funcionários até maio.

Na fábrica de São Caetano da GM, a carga é de 40 horas semanais, mas, com as horas extras, os trabalhadores estenderam o expediente para 44 horas, segundo Aparecido Inácio da Silva, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, vinculado à Força Sindical.

A fábrica da GM opera em dois turnos atualmente, um a menos do que no período pré-crise. A empresa emprega 21.432 pessoas, 5% menos que em março do ano passado. A montadora informou ao iG que fará contratações, mas não definiu a quantidade de vagas que serão criadas.

Dinheiro extra

A questão das horas extras ainda não é consenso entre os trabalhadores. Enquanto alguns sindicatos defendem a hora extra zero e o aumento do emprego, outros afirmam que o mecanismo eleva a renda do trabalhador. A legislação estabelece um pagamento de um adicional de 50% do salário-hora para a hora extra, mas a maioria das montadoras oferece 75% para seus funcionários que trabalharem mais nos dias de semana e adicional acima de 100% para domingos e feriados.

“Os trabalhadores ficam contentes porque o percentual pago é alto”, afirma José Roberto Nogueira da Silva, coordenador da comissão de fábrica da Volkswagen do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. No Paraná, a situação se repete. “Para o trabalhador, os picos de produção são oportunidades de ganhar mais”, afirma Nelson de Souza, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (Simec).

Um funcionário com salário de R$ 1.000, consegue um adicional mensal de cerca de R$ 500 com horas extras, segundo estimativas do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim. Para ele, as montadoras complementam a remuneração dos trabalhadores com horas extras e conseguem apaziguar as pressões para aumentos salariais. “É um problema, porque o trabalhador se acostuma com um salário falso.”
 

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