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Minério de ferro: nova fórmula dá transparência

Para BHP Billiton, maior mineradora e rival da Vale, volatilidade nos preços poderá ser administrada no mercado financeiro

André Vieira, iG São Paulo |

A mineradora anglo-australiana BHP Billiton, a maior do mundo e uma das principais rivais da brasileira Vale, comemora. O regime de contratos anuais para o reajuste do minério de ferro, a matéria-prima para produção de aço, parece ter chegado ao fim.

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O brasileiro Alex Vanselow, executivo financeiro da BHP Billiton: novos contratos permitem "travar' preços no mercado futuro
Na semana em que a BHP Billiton anuncia que a maioria dos seus clientes decidiu fechar acordos a preços de mercado, o diretor financeiro da empresa anglo-australiana, o brasileiro Alex Vanselow, comenta em entrevista exclusiva ao iG o que muda com a nova modalidade de preços.

"Ambos os lados, tanto produtores como consumidores, podem usar esse mercado que é mais transparente para travar os preços de acordo com suas estratégias e perspectivas", afirma o executivo.

Nos últimos anos, a mineradora foi a maior defensora da nova modalidade de preços, que leva em consideração "as forças de mercado" - o equilíbrio entre oferta e demanda.

O regime antigo durou quatro décadas. Em negociações privadas, cada mineradora discutia com a siderúrgica o preço de venda do minério de ferro para vigorar por 12 meses - o valor definido servia de referência ("benchmark") para todas as outras vendas por parte das mineradoras.

Inicialmente, a Vale se opunha à ideia. Na visão de analistas, como o setor de mineração exige grandes investimentos para novos projetos, um fluxo de recursos constante e definido pelo preço do minério ajuda no planejamento das expansões de novas minas. 

A fórmula de benchmark mostrou sua fraqueza quando veio a crise mundial no fim de 2008. Com a brutal queda nos preços do minério de ferro, parte das siderúrgicas, especialmente as chinesas, deixou de cumprir os contratos para adquirir a matéria-prima no mercado à vista a um preço mais baixo do acertado no contrato anual.

Com o esgotamento da fórmula antiga num momento em que a demanda da China volta a se recuperar e os preços no mercado a vista aumentam, as mineradoras estão agora dando o troco. Os primeiros contratos com o novo regime estão saindo ao preço de US$ 110 por tonelada, quase o dobro do que vigorou ao longo do ano passado.

Mas a Vale mudou de posição em relação ao benchmark, decretando o fim de sua fórmula. A tendência da mineradora brasileira é utilizar um sistema de reajuste mais flexível. Sua maior dificuldade, contudo, será convencer as siderúrgicas chinesas a aceitarem um valor que embuta o custo do frete - um valor significativo para o transporte de minério - que seja tão competitivo com o minério extraído da Austrália.

Para Alex Vanselow, o custo do frete, assim como a qualidade do minério de ferro, passa a ser um fator de diferenciação na negociação do minério de ferro.

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Mina de ferro da BHP Billiton no oeste da Austrália: novos contratos de venda a preço de mercado para a China
Esse aumento deve ter reflexos sobre o balanço das mineradores. A BHP Billiton e suas rivais Rio Tinto, também australiana, e Vale movimentam mais de 70% do comércio transoceânico do minério de ferro – um valor bilionário.

Radicado há duas décadas na Austrália, Alex Vanselow, pouco conhecido do público brasileiro, está numa das posições mais destacadas para avaliar as mudanças que afetam a indústria mundial de mineração. A seguir a entrevista:

iG: O que acontece com o fim do sistema de benchmark depois de 40 anos? Quais as vantagens sobre o novo sistema de definição de preço tanto para as mineradoras como as siderúrgicas?

Alex Vanselow: Um bom exemplo é ver como funciona o mercado de cobre. O preço dele é decidido pelo mercado diariamente. Mas não é só o preço do dia, mas também o preço futuro. Ambos os lados, tanto produtores como consumidores, podem usar esse mercado que é mais transparente para travar os preços de acordo com suas estratégias e perspectivas.

iG: Analistas avaliam que o antigo preço trazia menos volatilidade ao fluxo de caixa das mineradoras. A mudança não pode criar incertezas em momentos de grande turbulência, afetando a capacidade de investimentos das empresas?

Vanselow: A volatilidade do preço pode ser medida e gerenciada. O grande risco para o produtor em tempos turbulentos é o consumidor do minério de ferro não cumprir com o contrato como aconteceu em dezembro de 2008. Isso não só afeta a receita da empresa como também a produção e seus custos. Os mecanismos de determinação de preço no mercado aberto são influenciados pelos custos do produtor marginal e os incentivos necessários para produtores reinvestirem.

iG: A falta de liquidez não pode comprometer o sucesso deste novo regime de preços?

Vanselow: O mercado para cada produto está em diferente fase de maturidade - o mais estabelecido é o de petróleo e o mais novo é o de minério de ferro. Se olhar a evolução do índice Global Coal (que mede a cotação do carvão térmico), você verá que a trajetória é bem rápida. Veja a manchete desta quarta-feira do jornal inglês Financial Times. (A reportagem mostra que o volume de contratos com derivativos em minério de ferro crescerá de US$ 300 milhões hoje para US$ 200 bilhões até 2020, segundo projeções.)

iG: As mineradoras mais próximas dos mercados emergentes, como a China, não saem em vantagem em relação às mineradoras mais distantes, como a Vale, do Brasil?

Vanselow: O frete é um item separado e tem o mercado próprio. Assim como a qualidade do produto, também é um fator de diferenciação.

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