A Mercedes-Benz vai produzir na fábrica de Juiz de Fora (MG) o Actros, caminhão top de linha da marca. Com os mais avançados itens tecnológicos para esse produto, o veículo é comparado aos automóveis Classe S, os mais luxuosos da fabricante alemã, com preços na casa dos R$ 500 mil.

A Mercedes-Benz vai produzir na fábrica de Juiz de Fora (MG) o Actros, caminhão top de linha da marca. Com os mais avançados itens tecnológicos para esse produto, o veículo é comparado aos automóveis Classe S, os mais luxuosos da fabricante alemã, com preços na casa dos R$ 500 mil. A produção local começará em 2011.

O aval da matriz para a produção local chega no mesmo mês em que a montadora iniciou a importação do extrapesado Actros na versão rodoviária. O modelo trazido da Alemanha está sendo oferecido por cerca de R$ 440 mil na versão mais equipada e já tem seis encomendas de uma empresa gaúcha. A empresa não divulgou se a produção local vai baratear o custo.

Entre os itens de conforto, segurança e desempenho, alguns deles inéditos no segmento de caminhões, estão o radar de distância, que identifica a velocidade do veículo à frente e mantém distância segura, além de identificar situações de frenagens bruscas e ativar os freios por conta própria, caso o motorista não o faça.

Também tem sistema que dispara alarme quando o condutor sai da faixa da pista, situação que pode indicar sonolência. Com capacidade de transporte de 40 toneladas de carga, o Actros pode chegar às 74 toneladas se for equipado com rodotrem (carreta com vários eixos). Um caminhão da mesma categoria, mas sem os itens tecnológicos e limitado à capacidade de 40 toneladas, custa cerca de R$ 350 mil. Já um caminhão médio, que transporta até 12 toneladas, custa R$ 140 mil.

O Actros é produzido atualmente na Alemanha e na Turquia. Segundo a direção da Mercedes, a decisão da matriz de fabricá-lo também no Brasil se deve principalmente ao crescimento do mercado.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas de caminhões de janeiro a maio deste ano cresceram 54,3%, para 57.991 mil unidades. Na categoria de pesados, que responde por 32% das vendas, o aumento foi de 77,9%, para 18.787 unidades.

A entidade negocia com o governo a manutenção do corte do IPI para caminhões, em vigor desde dezembro de 2008 e previsão de acabar este mês. "Acreditamos que a evolução das vendas de caminhões será ainda maior no futuro, principalmente nos segmentos de caminhões pesados e leves, que reagem rapidamente ao crescimento da economia", afirmou, em nota, o presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Jürgen Ziegler.

Fábrica

O anúncio da produção do Actros em Juiz de Fora, embora ainda sem detalhes de investimentos e empregos, confirma a decisão do grupo de reativar por completo essa filial, que recebeu investimentos de US$ 820 milhões.

A unidade foi inaugurada em 1999 para produzir o compacto Classe A, mas, com o fracasso de vendas, o modelo saiu de linha seis anos depois. Desde então, a linha de montagem mineira, com capacidade para 70 mil veículos ao ano, vem sendo usada apenas para pequena atividade de montagem do CLC Sport Cupê.

O modelo de luxo recebe todas as peças da Alemanha e tem mais de 90% da produção voltada à exportação. O Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora chegou a temer pelo fechamento da fábrica. Além do Actros, a unidade também vai produzir o caminhão leve Accelo para complementar a produção da fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

Recentemente, a Mercedes anunciou investimentos de R$ 1,2 bilhão para ampliar a capacidade produtiva dessa fábrica de 62 mil para 75 mil caminhões até 2012. "A alta qualificação dos colaboradores e as modernas instalações da fábrica de Juiz de Fora nos encorajaram a expandir a produção de caminhões para outras instalações, considerando que São Bernardo atingirá seu limite de capacidade em 2012", disse Ziegler.

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