SÃO PAULO - O presidente da fabricante de carrocerias de ônibus Marcopolo, José Rubens de la Rosa, disse hoje que sua empresa precisa desenvolver sua presença no sudeste asiático e cravar posição no continente europeu. No entanto, no plano internacional, a prioridade da companhia ainda é consolidar suas operações na Índia e no Egito.

"No médio prazo, também teremos que pensar em nos reposicionar no mercado russo, mas tudo vai ser feito com bastante calma e sem atropelos", afirmou o executivo. Apesar do encerramento das atividades produtivas na Rússia e em Portugal no ano passado, a Marcopolo deverá ampliar em 66% o número de ônibus fabricados no exterior em 2010, para 9,5 mil unidades, ou 35,8% da produção total prevista para este ano (26,5 mil unidades). Os maiores volumes no exterior são previstos para as operações no México (1,2 mil unidades) e a joint venture com a Tata Motors na Índia, que deverá render outras 6 mil unidades à Marcopolo. A companhia também tem unidades fabris na África do Sul, na Argentina e na Colômbia, além de uma fábrica de componentes na China e a unidade instalada no Egito. Sua meta é estar entre as duas primeiras posições de mercado nas regiões onde opera. A previsão para as operações internacionais supera, inclusive, a expectativa para a produção da companhia no Brasil, que deverá crescer 24% neste ano, para 17 mil unidades. Durante encontro com jornalistas, De la Rosa comentou que a crise econômica em alguns países ainda limita a recuperação no mercado internacional. As exportações brasileiras de ônibus, que chegaram a responder por 46,9% da produção em 2005, ficarão neste ano em 21,9% do total produzido pela indústria em 2010, de acordo com as estimativas da fabricante. Fora a contração de alguns mercados, a valorização do real ante o dólar abalou a competitividade das companhias brasileiras, apontou De la Rosa. Mesmo assim, com as vendas domésticas mais aquecidas e as encomendas geradas pela Copa do Mundo na África do Sul, a Marcopolo conseguiu o melhor resultado de sua história no primeiro semestre deste ano, período em que o lucro somou R$ 148,1 milhões. Em apenas seis meses, a fabricante de carrocerias de ônibus bateu os resultados consolidados dos cinco anos anteriores, quando o lucro, em 12 meses, ficou dentro da faixa de R$ 82,4 milhões a R$ 146,5 milhões. "Este é um ano mais aquecido, com um mercado interno vivendo um ciclo de renovação", assinalou o presidente da Marcopolo. A tendência, disse o executivo, é de continuidade do crescimento, mas a um ritmo menos acelerado, dado que a base de comparação passou a ser mais alta no segundo semestre. Nesse sentido, a receita líquida da Marcopolo - que somou R$ 1,407 bilhão na primeira metade do ano (alta de 49,8% em um ano) - deverá alcançar R$ 2,8 bilhões até dezembro, marcando um aumento de 36% sobre as vendas de 2009. Para De la Rosa, a maior utilização de transportes terrestres e os investimentos realizados por diversas capitais brasileiras para receber ônibus de maior valor agregado - como o bus rapid transit (BRT) - abrem perspectivas positivas para as vendas nos próximos anos. Fora isso, a realização da Copa do Mundo no Brasil, em 2014, colocará o mercado de ônibus em um patamar mais elevado. Nesse sentido, a Marcopolo está fazendo uma revisão estratégica para aproveitar o momento. "Os investimentos deverão subir", afirmou De la Rosa. (Eduardo Laguna | Valor)

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