Vendas até maio deste ano já superaram as acumuladas entre janeiro e junho de 2008, ano mais aquecido do setor

A indústria brasileira de máquinas rodoviárias deve fechar o primeiro semestre com volume recorde de produção. Se mantiver em junho o desempenho médio registrado nos cinco meses anteriores, o segmento (do qual fazem parte as grandes máquinas usadas na indústria da construção, como retroescavadeiras, tratores de esteira e caminhões fora de estrada) encerrará o intervalo entre janeiro e junho com atividade mais acelerada até mesmo que a registrada no primeiro semestre de 2008, ano em que a indústria atingiu seu ápice de produção.

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), foram produzidas 10.789 unidades entre janeiro e maio, uma média mensal de 2.157 unidades. De janeiro a maio de 2008, a produção foi de 9.999 unidades, uma média de cerca de duas mil máquinas. No primeiro semestre daquele ano, a produção foi de 12.177 unidades.

Muito do impulso para o aumento da produção do setor é creditado à demanda firme do mercado interno. As vendas totais no País somaram 8.421 unidades nos primeiros cinco meses deste ano, volume que já foi superior às 6.716 máquinas vendidas nos seis primeiros meses do recordista ano de 2008.

“Deverá ser o melhor primeiro semestre da história do setor. A previsão para o nosso resultado é de um crescimento de 100% na comparação com o ano passado”, afirmou Yoshio Kawakami, presidente da Volvo Construction Equipament na América Latina. Segundo o executivo, se o mercado nacional mantiver o comportamento verificado nos últimos seis anos, em que as vendas no segundo semestre são mais fortes do que as do primeiro, o resultado do ano também será recorde.

Além da construção civil, Kawakami cita o segmento de mineração como um dos principais responsáveis pela retomada do setor. “As mineradoras, que tiraram o pé do acelerador durante a crise, voltaram às compras neste ano”, disse.

Máquinas rodoviárias e óleo e gás (este puxado pelos investimentos da Petrobras) são, como o de mineração, segmentos da indústria de máquinas que estão na dianteira do crescimento do setor, mas o avanço não é generalizado. “As máquinas para as indústrias de autopeças, têxteis e siderúrgicas ainda não se recuperaram totalmente da crise econômica”, diz José Velloso Dias Cardoso, vice-presidente da Abimaq.

Essa disparidade entre os diversos segmentos em que atuam as fabricantes de máquinas faz com que a Abimaq projete para 2011, e não para este ano, a repetição dos níveis de faturamento e produção registrados em 2008. “Em 2010, repetiremos os níveis de 2007. E isso é uma boa notícia, já que muitas empresas ainda estão em situação de crise”, afirma o dirigente.

(Colaborou Guilherme Manechini)

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