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Máquinas gigantes e paisagem marciana nas minas de ferro da Vale

Duas coisas saltam aos olhos dos visitantes de primeira viagem: a poeira avermelhada que cobre tudo e os equipamentos enormes

Gustavo Poloni, enviado especial a Parauapebas |

Para chegar à mina de ferro da Vale na Serra de Carajás é preciso estar pronto para encarar aventuras. A primeira delas começa em Marabá, onde está localizado o maior aeroporto da região e por onde chega boa parte dos visitantes. A estrada de mão dupla e cheia de buracos que leva a Serra dos Carajás tem 150 quilômetros, percorridos em quase três horas de viagem. Ela liga Marabá a Parauapebas, cidade fundada em 1988 e localizada no sudeste do Pará, no pé da Serra dos Carajás. Com mais de 150 mil habitantes, Parauapebas cresce em ritmo chinês à sombra do sucesso da mineradora e viu sua população aumentar 15 vezes nos últimos anos. É lá que mora parte dos funcionários e os prestadores de serviço da mina de ferro – e onde se encontra a primeira portaria para chegar àquela que é considerada a maior mina a céu aberto do mundo.

Salviano Machado
Mina da Vale em Carajás: paisagem marciana e máquinas gigantes
Depois de se identificar e percorrer mais 15 quilômetros para atingir 700 metros acima do nível do mar, o visitante se depara com uma bifurcação no alto da serra. À esquerda está o Núcleo de Carajás, uma pequena vila construída durante o regime militar e onde vivem cerca de seis mil pessoas, a maioria funcionários da Vale. Erguida em meio à floresta, o vilarejo é cercado por uma grade para evitar que bichos, como onças, ataquem os moradores. Em meio à floresta, o Núcleo, como é conhecido, oferece conveniências aos seus moradores: escola, hospital, supermercado, clube, um cinema com os últimos sucessos do cinema mundial e até um pequeno aeroporto onde opera o AeroVale, apelido do avião da empresa usado por funcionários e visitantes. As casas não têm muro e é comum encontrar portas destrancadas durante o dia. Os imóveis são alugados por valores simbólicos: uma casa de dois dormitórios custa R$ 150 ao mês.

Quem segue à direita na estrada vai encontrar mais uma portaria, a segunda e última antes das minas de ferro. A proximidade das áreas de exploração de minério fica evidente com a mudança na paisagem. As árvores altas e vistosas dão lugar a uma vegetação rasteira, conhecida como canga. Esse tipo de paisagem só é encontrada onde existe uma grande quantidade de minério de ferro no solo. Aliás, foi por causa dela que as minas de Carajás foram descobertas. Em julho de 1967, o geólogo Breno Augusto dos Santos sobrevoava a serra quando o helicóptero teve que fazer um pouso de emergência numa clareira. Santos percebeu que a clareira não era fruto do desmatamento, mas da presença de ferro. Outro indício de que as minas de ferro estão próximas é a presença de uma poeira vermelha. Quanto mais perto da mina, mais ela pode ser encontrada por todos os lados.

As minas de ferro da Vale estão localizadas no meio de uma floresta nativa de 1,2 milhão de hectares, área cerca de dez vezes maior do que o Parque Ibirapuera, em São Paulo. De acordo com a Vale, as atividades de exploração interferem numa pequena parte dela: apenas 2% da área total preservada, que é protegida 24 horas por dia por uma equipe de vigilantes equipada com avião, helicóptero, botes e caminhonetes. A caminhonete, aliás, é o veículo oficial de quem trabalha na mina. A montadora japonesa Mitsubishi até desenvolveu uma série especial da L200 para a Vale. Entre outras coisas, o tanque de água que alimenta o limpador de parabrisa tem um tamanho bem maior do que o normal. O motivo? Ajudar a limpar com mais eficiência e por mais tempo o pó e a lama que ficam impregnados no vidro dos carros.

Antes de entrar na mina é preciso se munir de uma série de equipamentos de segurança, sejam eles pessoais ou coletivos. Os visitantes são obrigados a usar botas para evitar que objetos pesados quebrem os pés. Na cabeça, capacete parecido com os que usam os engenheiros e um colete laranja e com material reflexivo para que todo mundo possa enxergá-lo. No teto da cabine das caminhonetes é instalado um giroflex (desses usados em carros de polícia) e, na caçamba, uma bandeirola com uma haste de cerca de 10 metros de altura. Ela serve para mostrar aos motoristas de caminhões fora de estrada que existem veículos menores dentro das minas. Para dirigir dentro da mina, o motorista precisa de uma licença especial, concedida pela Vale, e deve mostrar a fiscais que todos os equipamentos de segurança estão funcionando.

Duas coisas saltam aos olhos quando se está dentro das minas de ferro da Vale. A primeira é a cor avermelhada da poeira citada anteriormente. Ela está por todos os lados: no chão das ruas, nas folhas das plantas, no solado das botas dos operários, nos carros e máquinas que circulam por todos os lados. Ela deixa a mina com uma aparência marciana, inóspita. A outra é o tamanho dos equipamentos. O que se vê logo de cara são os caminhões fora de estrada. Eles parecem um caminhão basculante, desses usados para carregar pedras, mas num tamanho família. Ao todo, 105 deles circulam pela mina com até 400 toneladas de carga. São 800 mil toneladas de material carregadas num período de 24 horas, suficiente para encher o estádio do Maracanã em um dia. Outras máquinas impressionam pelo gigantismo. Uma recuperadora, usada para estocar minério de ferro, tem a altura de um prédio de 15 andares.

As máquinas gigantes das minas da Vale são peças fundamentais no processo de extração, beneficiamento, estocagem e a expedição do minério de ferro (veja como funciona todo o processo de extração no infográfico acima). Mais de 500 equipamentos estão em operação nas três minas do Complexo de Carajás. A maior dessas minas atende pela sigla N4 e foi inaugurada em 1985 com o objetivo de produzir 35 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano. Passados 25 anos, a N4 viu serem inauguradas outras duas frentes de exploração e ajudou a quase triplicar a produção anual da Vale. Em 2007, a produção de minério de ferro atingiu a marca de 1 bilhão de toneladas. O resultado dessa operação é visível: antes de começar a exploração, as montanhas tinham altura média de 700 metros. Agora, algumas delas têm algo perto de 450 metros de altura.
 

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