Resultado reflete melhora na demanda e novo modelo de precificação

O lucro da Vale disparou 344% no segundo trimestre do ano, quando passou a vigorar o novo modelo de precificação de minério de ferro. Em relação aos três meses anteriores, o crescimento foi de 130%. A maior produtora de ferro do mundo lucrou R$ 6,6 bilhões de abril a junho, a maior cifra desde o terceiro trimestre de 2008, momento em que a crise global derrubou as vendas de minério, o carro-chefe da receita da empresa. No mesmo período do ano passado, a companhia alcançou R$ 1,49 bilhão.

Receita operacional da mineradora cresceu 72,5%, para R$ 19 bilhões
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Receita operacional da mineradora cresceu 72,5%, para R$ 19 bilhões
O salto também reflete o bom momento por que passam as mineradoras, com a volta do consumo mundial não somente de minério, mas de toda a cadeia do aço. “Estes resultados refletem a crescente demanda global por minérios e metais, custos operacionais sob controle e os nossos esforços para aumentar produção”, resume a companhia em comunicado.

O desempenho rende aos acionistas um lucro líquido de R$ 1,25 por cada ação, num aumento de 346% no lucro para o investidor em relação ao que fora conseguido no segundo trimestre de 2009.

A mineradora obteve receita operacional de R$ 19 bilhões no segundo trimestre – 72,5% maior que a registrada em igual período do ano passado. O aumento dos preços de venda gerou um efeito positivo de R$ 4,5 bilhões na receita, enquanto que o crescimento do volume de vendas contribuiu com R$ 1,5 bilhão. A China perdeu participação nas vendas, enquanto Europa e Brasil ganharam.

Na mesma comparação, a geração de caixa medida pelo EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) subiu 202%, para R$ 10,4 bilhões.  

No primeiro semestre, a companhia acumulou lucro de R$ 9,5 bilhões – o dobro do alcançado no mesmo período de 2009, quando a demanda ainda ensaiava recuperação.  "A retomada da expansão da indústria global de transformação já compensou grande parte da perda de produto causada pela recessão e tem contribuído para impulsionar significativamente o crescimento da demanda por minérios e metais, o que resultou também na mais forte elevação de preços ocorrida nas recuperações das últimas cinco recessões globais", afirma o relatório.

Mas a Vale pondera que o crescimento daqui por diante tende a ser moderado, porque a base de comparação fraca cederá lugar a taxas mais elevados de expansão. "Recuperações de recessões tendem a começar com altas taxas de expansão, seguidas posteriormente por uma fase de crescimento mais moderado, na medida em que se processa convergência para um ritmo sustentável. Durante os últimos quatro trimestres, a produção industrial global cresceu acima de 10% ao ano, taxa não sustentável ao longo do tempo. Assim, o início de um período de desaceleração é um fenômeno esperado", acrescenta.

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