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Klabin anuncia presidente "forasteiro"

Centenária fabricante de papel escolhe Fábio Schvartsman que fez carreira no grupo Ultra como novo diretor-geral

André Vieira, iG São Paulo |

A fabricante de papel Klabin anunciou na noite desta quarta-feira a troca de comando do seu principal executivo. A empresa anunciou o nome do engenheiro Fábio Schvartsman como diretor-geral, função que passará a exercer no dia 2 de fevereiro de 2011, data marcada para a reunião do conselho de administração. Schvartsman vai substituir Reinoldo Poernbacher.

Divulgação
Floresta de eucalipto: plano da Klabin para produzir celulose
O ingresso de Schvartsman, de 57 anos, é interpretado como uma tentativa de mudança da condução da fabricante de papel por parte de acionistas - oito grupos familiares controlam a Klabin. Seu nome agrada ao mercado financeiro. Foi responsável pelo plano de abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) do grupo Ultra, onde trabalhou por duas décadas.

As ações da Klabin subiam 3,99% na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&F Bovespa) nesta quinta-feira, a maior alta do pregão. Antes da confirmação da troca de comando em um sucinto comunicado de três linhas entregue ao mercado, os papéis já tinham subido 5,32% na quarta-feira.

Raramente em sua história a Klabin trouxe alguém de fora para conduzir os negócios da empresa, que fatura acima de R$ 3 bilhões. A idade média do tempo de empresa dos cinco integrantes do seu comitê executivo é de 29 anos. Além da renovação, o novo executivo terá a missão de avaliar os planos de investimentos que passam pela produção de celulose de mercado - temporariamente - antes de transformá-la em papel.

Nos últimos anos, analistas apontam a Klabin como uma empresa excessivamente conservadora, o que lhe tira o brilho por parte dos investidores. Parte da cautela é atribuída à grande crise a qual a empresa viveu no início desta década. Endividada, a Klabin teve de se desfazer de determinados negócios e concentrar sua atividade na fabricação de papel-cartão, sacos industriais e papelão ondulado, produtos usados em embalagens. Seu principal cliente é a Tetra Pak, empresa produtora de embalagem longa vida.

Mesmo com os investimentos realizados nos últimos anos, a reestruturação deixou marcas profundas entre parte dos integrantes das famílias Lafer e Kablin. A empresa, fundada em 1899 por imigrantes judeus lituanos que já foi a maior do setor de papel e celulose e ajudou a moldar parte do processo de industrialização brasileiro, ficou para trás das rivais Suzano Papel e Celulose e Fibria em valor de mercado. As ações da empresa valem R$ 4,4 bilhões na Bolsa de Valores, abaixo do valor da Suzano e da Fibria, que valem R$ 5,8 bilhões e R$ 13,2 bilhões.

Carreira no grupo Ultra

Schvartsman fez sua carreira no grupo Ultra onde trabalhou por 22 anos. Como diretor, respondia pela área financeira e da relação com investidores. Engenheiro de formação, era apontado como um dos candidatos a assumir o comando executivo do grupo no lugar do empresário Paulo Cunha, que ficou apenas na presidência do conselho de administração.

Mas perdeu a disputa para o atual presidente do grupo Ultra, Pedro Wongtschowski, responsável pela área química, e decidiu sair do grupo controlado pela família Igel e executivos em 2007. Passou a atuar como conselheiro de grandes empresas. Atualmente, ocupa assento no conselho de administração da Duratex (onde começou sua carreira profissional) e do Pão de Açúcar, depois de ter exercido funções similares na Telemar (hoje Oi) e Gafisa.

A entrada de um “forasteiro” no comando da Klabin foi tentada no passado. Antes da escolha de Poernbacher, um engenheiro com ascendência austríaca com mais de 15 anos de empresa, parte dos acionistas deflagrou um processo de seleção de um profissional fora da empresa para tentar dar uma chacoalhada na companhia. Um “headhunter” foi contratado, executivos foram entrevistados. Mas, na hora H, uma parcela dos acionistas suspendeu o processo e a escolha não foi para frente.

O iG não localizou nesta quarta-feira à noite nenhum executivo da Klabin para comentar a mudança. Mais cedo, a empresa havia feito circular um comunicado a imprensa dizendo que o tradicional almoço de fim de ano que reuniria os jornalistas não seria realizado em 2010. De acordo com o aviso, o encontro ficará para o ano que vem, quando a empresa promete dar mais informações sobre as perspectivas para 2011, agora sobre o comando de Schvartsman.

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